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EM REVISTANOTÍCIAS — PROFESSOR DA USP PROPÕE METODOLOGIAS DIFERENTES PARA TRABALHAR A ALFABETIZAÇÃO...
02/09/2015

Professor da USP propõe metodologias diferentes para trabalhar a alfabetização

A entrada da criança no universo da leitura e da escrita é um dos passos mais importantes para sua formação educacional. Apesar disso, segundo dados de 2013 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de analfabetismo ainda é elevada no Brasil – cerca de 13 milhões de brasileiros não sabem ler e escrever – e boa parcela da população reconhece letras e números, ou seja, é tecnicamente alfabetizada, mas é incapaz de compreender textos simples.

Despertar o interesse dos alunos na sala de aula é um dos maiores desafios enfrentados pelos professores. Avaliando esse cenário, o professor Claudemir Belintane, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FE/USP), propõe trabalhar a alfabetização com base em uma visão interdisciplinar, utilizando diversas linguagens e suportes no aprendizado.

Uma das metodologias usadas pelo professor durante as suas pesquisas é trabalhar a alfabetização com base na oralidade. Ao ter contato com o texto oral, as crianças formam em sua memória matrizes textuais, que enriquecem seu repertório linguístico e as auxiliam a ler e produzir outras histórias.

Segundo ele, uma estratégia interessante para incentivar a leitura é usar diversas linguagens. Uma experiência foi apresentar às crianças do 3º ano do Ensino Fundamental o mundo fantástico dos hobbits, povo ficcional criado pelo autor J. R. R. Tolkien que deu origem a livros e filmes como O hobbit e O senhor dos anéis. Essa aventura épica foi contada de diversas maneiras, com animações, quadrinhos, trechos dos filmes e fragmentos dos livros, o que entusiasmou os alunos com a leitura.

Origem da pesquisa
Por meio de uma pesquisa feita na Escola Estadual Keizo Ishihara, localizada na zona oeste de São Paulo, e da análise dos dados de avaliações realizadas pelo governo federal, Belintane chegou a um resultado muito preocupante: aproximadamente 60% das crianças brasileiras se alfabetizavam mal. Com base no diagnóstico, o professor, junto com outros pesquisadores, iniciou uma pesquisa envolvendo três polos de ensino diferentes: as Escolas de Aplicação da Faculdade de Educação da USP e da Universidade Federal do Pará (UFPA), e uma escola da rede estadual da região de Pau dos Ferros associada à Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN).

Nessa experiência, percebeu-se que os professores enfrentavam um grande dilema ao trabalhar com a heterogeneidade das crianças na sala de aula. Um dos problemas era a dificuldade em construir uma metodologia de ensino que envolvesse todos os alunos. Ao detectarem que algumas crianças estavam se alfabetizando devagar, os professores diminuíam o nível de exigência do aluno. No entanto, a homogeneização da sala de aula prejudica o caráter desafiador do aprendizado. “O ensino da leitura no Brasil é muito tolerante, subestima demais o potencial das crianças”, avalia o professor.

Em Belém, os pesquisadores realizaram uma experiência interessante para trabalhar com a heterogeneidade. As crianças eram reunidas em grupos de dificuldades, baseados no diagnóstico das provas aplicadas. Assim, esses alunos eram acompanhados por um professor específico e desafiados a progredir em seu conhecimento. Por exemplo, se um grupo de alunos apresentasse dificuldade com o alfabeto, um professor seria responsável por elaborar trabalhos e atividades para incentivá-los a dominar essa fase do aprendizado.

Desafios
Segundo o pesquisador, para cidades com grande quantidade de alunos, o ideal seria aumentar o número de professores por sala de aula. Desse modo, os profissionais conseguiriam lidar melhor com as dificuldades particulares das crianças.

Para Belintane, as avaliações do governo também não aproveitam o potencial de leitura do aluno. As provas geralmente trabalham com diversos gêneros de textos, porém com conteúdos muito simples e cotidianos, que não demandam muito esforço dos leitores. As propagandas são um exemplo, pois nessa fase do aprendizado as crianças não têm leitura crítica. Dessa forma, identificar a mensagem de campanhas publicitárias em avaliações faz com que os alunos apenas confirmem o efeito da publicidade, não sendo uma metodologia eficaz na alfabetização.

Uma das fases mais difíceis para a criança é a transição do Ensino Infantil para o Fundamental. Para tornar a mudança menos abrupta, uma lei de 2006 regulamentou o Ensino Fundamental de nove anos com entrada da criança na escola a partir dos seis anos. De acordo com o professor, um dos primeiros passos para receber esses alunos é averiguar as atividades realizadas por eles na escola anterior.

Outro problema identificado na pesquisa é a dificuldade dos professores em estabelecer metas para cada ciclo escolar. O pesquisador aponta também que a formação dos professores ainda privilegia as metodologias importadas. “Faltam pesquisas que trabalhem com as reais dificuldades da escola brasileira”, afirma Belintane.

Fonte: Agência USP de Notícias
Imagem: Portal EBC/sabrinak/Creative Commons

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COMENTÁRIO(S)
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MARIA APPARECIDAMARIA APPARECIDA disse em 09/09/2015 06h06
concordo com o senhor porque passei 30 anos no ensino fundamental entre a alfabetização inicial e as demais series e ainda sinto o quanto temos que aprender porque a formação de professores já formados é simplesmente ineficiente Sempre com os mesmos discursos ,mal formadores,não há estimulo.NOS AJUDE POR FAVOR
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