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EM REVISTAREPORTAGENS — COMO ABORDAR A APRENDIZAGEM DA LÍNGUA ESCRITA NA EDUCAÇÃO INFANTIL?...

Como abordar a aprendizagem da língua escrita na Educação Infantil?


Aprendizagem da língua e Educação Infantil na BNCC
Percebe-se a preocupação de escolas, professores e famílias em iniciar a alfabetização desde a Educação Infantil. Essa preocupação reflete as atuais demandas socioeconômicas, que levam à apreensão (cada vez mais precoce) em relação ao sucesso escolar e profissional. Nesse contexto, cabe esclarecer as famílias sobre o desenvolvimento infantil, mostrando como acontecem os processos de aquisição da língua falada e escrita.


“Esquecemos que os pais tomam como referência escolas e professores de quando eram alunos e que tais referências estão muito distantes do que hoje conhecemos acerca da educação escolar e do que esperamos dela. É preciso que educadores e gestores saibam apresentar o papel da escola e os objetivos dos projetos pedagógicos aos pais. Estabelecer esse tipo de comunicação, compartilhar metas, explicar o que se passa na escola, como as crianças estão se desenvolvendo, indicar como atuar em casa com as crianças e, principalmente, implicá-los no processo de aprendizagem dos filhos é estratégia importante da escola”, comenta Claudia Vóvio.


Segundo especialistas, a alfabetização precoce pode trazer resultados prejudiciais, como o encurtamento da infância, que deixa de ser vivida de forma plena, queimando etapas importantes para o desenvolvimento humano. “Essa ideia de que a criança precisa estar mais adiantada para se preparar para o vestibular é espelho de uma sociedade competitiva, pautada pela crença de que é preciso ser o melhor do grupo. Por se sentir pressionada, cobrada, a criança e o jovem podem desenvolver uma relação negativa com o conhecimento. O processo de aprendizagem se faz por elaboração mental. Cada criança tem um ritmo e vive em um contexto familiar próprio. Respeitar o tempo da criança é garantir o encantamento de ler e escrever, obtendo resultados melhores”, avalia Silvia Colello.


“Acompanhei uma classe do 1º ano do Ensino Fundamental e percebi que uma aluna, de 6 anos, escrevia muito bem, com noção de pontuação e diferenciando letras maiúsculas e minúsculas. Quando eu pedia a ela que escrevesse, ela escrevia uma única frase: ‘O cachorro morde’. E ela escrevia ‘cachorro’ de forma correta, com ch e rr. Eu perguntei por que ela escrevia sempre a mesma frase. Ela me disse que a professora da Educação Infantil havia ensinado essa frase e, quando ela pegava o lápis, sentia tanta raiva que só conseguia pensar em cachorros que mordem. Outra aluna, que sentava ao lado dela, não escrevia nada e só desenhava minhoquinhas. Em seis meses, esta aluna que desenhava superou aquela que só escrevia a mesma frase”, conta a professora.


A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) acena com uma mudança neste panorama, orientando a produção de propostas curriculares da Educação Básica, incluindo a Educação Infantil, tanto de escolas públicas como privadas. O portal da BNCC foi lançado no ano passado, com acesso para consulta pública, e o documento final será apresentado em junho deste ano. 


A BNCC segue as atuais Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Infantil (DCNEI), que defendem as especificidades etárias na proposta pedagógica, sem antecipar os conteúdos que serão trabalhados no Ensino Fundamental. O artigo 4º das DCNEI define a criança como sujeito histórico e de direitos, que conhece a si mesmo, o outro e o mundo, interagindo e produzindo cultura de diferentes modos e por meio de diferentes linguagens: brincando, imaginando, experimentando, ouvindo, criando e narrando histórias, observando e questionando. Dessa forma, constrói sentidos sobre a natureza e a sociedade, produzindo cultura.


Um dos pontos importantes da Base em relação à Educação Infantil é a apresentação de direitos de aprendizagem e desenvolvimento em relação a três faixas etárias: bebês (0 a 18 meses); crianças bem pequenas (19 meses a 3 anos e 11 meses); crianças pequenas (4 anos a 5 anos e 11 meses). Levando em conta as características dos bebês e das crianças e as orientações das DCNEI, os direitos de aprendizagem e desenvolvimento referem-se a cinco principais ações: conviver, brincar, participar, explorar, expressar, conhecer-se. Com base nesses direitos, são definidos como eixos dos currículos cinco campos de experiências: O eu, o outro e o nós; Corpo, gestos e movimentos; Traços, sons, cores e imagens; Escuta, fala, linguagem e pensamento; Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações.


Na Educação Infantil, esses campos de experiências − que, no Ensino Fundamental e Médio, se traduzem em áreas de conhecimento – têm a brincadeira e as interações como eixos para o currículo que orientará as práticas pedagógicas. Além disso, a Base estabelece, em sua última versão, que deve haver uma continuidade entre o programa educativo desenvolvido na EI e a vida escolar subsequente, pois ambos pertencem ao mesmo processo de formação humana.


“A abordagem de um currículo pautado na experiência da criança não anula os conhecimentos historicamente acumulados, materializados nos programas e nos conteúdos previstos pelas escolas, pois a experiência dos meninos e das meninas incorpora fatos e conhecimentos, além de atitudes, motivos e interesses que levam à aprendizagem. São as brincadeiras, as ações, as interações e a participação nas práticas sociais que levam as crianças a ter curiosidades sobre temas, práticas, ideias a serem pesquisadas e a constituir seus saberes sobre o mundo.” (BNCC, 2016, p. 59.)


Para assegurar esses direitos no cotidiano das instituições de Educação Infantil, é necessário propor arranjos curriculares que superem a fragmentação do conhecimento e busquem acolher “as práticas sociais e culturais das crianças e das comunidades, as diferentes linguagens simbólicas que nelas estão presentes, além dos conhecimentos sistematizados pela cultura e pela ciência”. (BNCC, 2016, p. 61.)


Por si só, a BNCC não será capaz de mudar as práticas de escolas que priorizam a alfabetização na Educação Infantil. É necessário formação permanente dos professores, conscientização e profundo conhecimento dos processos de desenvolvimento das crianças, de suas linguagens e realidades, para que de fato as práticas possam ser alteradas.


“Essa mudança, extremamente importante, só ocorrerá se houver uma política de formação que atinja todos os sistemas educacionais e que inclua a formação inicial nos cursos de Pedagogia e que contemple ações de formação continuada. A BNCC é importante para a construção de acordos entre os mais diferentes setores da sociedade que querem e necessitam estar envolvidos nas discussões sobre que educação o Brasil quer assegurar a sua infância, a sua juventude e aos brasileiros de forma geral. É a resposta a essa pergunta que servirá de ‘base’ para que cada sistema educacional, cada rede de ensino, cada escola, cada professor elabore seu currículo”, considera Mônica Correia Baptista, do Ceale.



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COMENTÁRIO(S)
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OLINDAOLINDA disse em 16/06/2016 23h02
A pedagogia do amor se faz presente nas formas; de introduzir o afeto através de pequenos gestos,faça um circulo com os animais de pelúcia da criança,ofereça por exemplo uma fruta peça para a criança descascar,peça para criança contar quantos gomos a mixirica tem? Trabalharemos a linguagem oral e a matemática de forma lúdica e simples,explorando o seu universo,fazendo com que a criança tenha uma memória fotográfica de sua fase.etc...
ILANA FLAVIA ALMEIDA SILVA DE JESUSILANA FLAVIA ALMEIDA SILVA DE JESUS disse em 02/06/2016 17h20
Amei ler esses 3primeiros matériais.Muito enrequecedor para a formação docente. Será e já está sendo de suma importância o BNCC para os educadores e para educação. Fico cada dia mais contagiada e fascinada por ser uma educadora.Um papel tão importante que devemos nos dar conta a cada momento tentando e fazendo sempre o melhor para os nossos alunos serem o futuro deste mundo.
ILANA FLAVIA ALMEIDA SILVA DE JESUSILANA FLAVIA ALMEIDA SILVA DE JESUS disse em 02/06/2016 17h05
A educação deve sim ter esse olhar promissor de querer sempre ir além. Pois o lúdico, a saída das quartro paredes da sala de aula é de fundamental importância. O levar o faz de conta também pra dentro da sala de aula vai proporcionando ao seu aluno a ir sempre além. Buscando inovações sempre, acreditando que aprender brincando é possível sempre. E que nós como educadores temos a responsabilidade de fazer acontecer .
ILANA FLAVIA ALMEIDA SILVA DE JESUSILANA FLAVIA ALMEIDA SILVA DE JESUS disse em 02/06/2016 16h47
O processo ensino aprendizagem.Vem desde de cedo. Creio nesta teoria tb, pois se dou está oportunidade e tenho este desejo de ver o meu aulo crescer.Posso e devo fazer com que ele tenha assecessoao letramento.Mesmo sendo na educação infantil. aprender brincando sempre.
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