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EM REVISTAENTREVISTAS — RUTH ROCHA: UMA VIDA DE ESCRITA DEDICADA ÀS CRIANÇAS...

Ruth Rocha: uma vida de escrita dedicada às crianças

Uma das mais conhecidas e produtivas escritoras de literatura infantojuvenil, a paulista dispensa apresentações. Imortalizada por obras como Marcelo, marmelo, martelo; Bom dia, todas as cores!; Terezinha e Gabriela; Historinhas malcriadas; O reizinho mandão, As coisas que a gente fala, entre tantos outros títulos, Ruth Rocha já formou várias gerações, despertando a curiosidade, a imaginação e o amor pela leitura.


A autora, que desde 2008 integra a Academia Paulista de Letras, é formada em Ciências Políticas e Sociais e iniciou sua carreira como orientadora educacional. Como ela conta, foi aí que descobriu sua grande vocação: encantar crianças de todas as idades por meio das histórias.


Seus primeiros livros foram dedicados a crianças em fase de alfabetização: O coelhinho que não era de Páscoa; A arca de Noé; Macacote e Porco Pança; O trenzinho do Nicolau, e outras histórias, lançadas em 1969 na revista Recreio. Desde então, seguiram-se obras de grande sucesso de público e crítica, totalizando hoje mais de 200 livros infantis. Ruth Rocha também escreveu para as revistas Claudia, voltada para o público feminino, e Educação, especializada em conteúdos pedagógicos.


A autora também já explorou a linguagem audiovisual. Em 1999, Ruth Rocha, acompanhada pela trilha musical do grupo Palavra Cantada, narra sete de suas histórias no álbum Mil pássaros. E em 2000, no Canal Futura, a escritora participou de "Quem Conta um Conto”, série de animação baseada na Odisseia (poema atribuído a Homero), comentando as aventuras de Odisseu após a tomada de Troia até seu regresso a Ítaca.


Toda essa atuação lhe rendeu vários prêmios, entre eles quatro Jabutis (Câmara Brasileira do Livro), além da comenda da Ordem do Mérito Cultural do Ministério da Cultura (MinC). A escritora foi ainda escolhida para fazer parte do Pen Clube do Brasil, associação internacional de escritores, localizada no Rio de Janeiro (RJ).


Leia a seguir nossa conversa com esta importante autora.


Plataforma do Letramento: Como foi sua formação leitora? Que obras e autores marcaram seu percurso de formação?
Ruth Rocha
: Desde pequena, na minha casa, havia contação de histórias. Minha mãe, meu pai e meu avô eram contadores de histórias. Assim, quando eu aprendi a ler, já comecei a ler tudo que eu encontrava: Monteiro Lobato, Menotti del Picchia, Olavo Bilac e muitos outros foram meus companheiros durante toda a infância. Mais tarde comecei a ler livros para adultos e nunca mais parei.


PL:  Antes de se consagrar como escritora, a senhora foi orientadora educacional. Essa experiência a influenciou na escrita para crianças? De que modo?
RR: Meu tempo de orientadora educacional me pôs em contato com os problemas dos jovens e das crianças. Creio que foi uma experiência fundamental para mim.


PL: O que a motiva a escrever para crianças?
RR: Eu já tinha 38 anos quando comecei a escrever para crianças. Tive então uma oportunidade de escrever e publicar. A partir da primeira história que eu escrevi, tive um impulso irresistível de continuar. Simplesmente não tive outro caminho.


PL: O Brasil tem como um dos grandes desafios a democratização do acesso à cultura letrada. Entre esses desafios, está a tarefa educativa de formar leitores. Que dicas a senhora dá a educadores que se dedicam a essa tarefa?
RR: Creio que as melhores maneiras de incentivar a leitura sejam: expor as crianças aos livros; dar exemplo dentro de casa e na escola; oferecer às crianças bons livros, adequados à idade do leitor. Para isso é necessário que pais, professores e bibliotecários leiam antes as obras para não dar às crianças livros entediantes, impróprios para sua idade e com assuntos desinteressantes.


PL: Recentemente, a senhora lançou, em parceria com Dora Lorch, a coleção “As dificuldades que eu tenho”, dedicada a crianças da Educação Infantil e do ciclo de alfabetização. Quais foram as inspirações e os objetivos ao escrever essas obras? Que dicas a senhora daria aos educadores que pretendem trabalhar com elas?
RR: A coleção “As dificuldades que eu tenho” tem por objetivo ajudar as crianças a resolverem seus problemas. A análise de cada uma dessas dificuldades e o fato de haver nos livros pelo menos uma solução para cada problema é a forma que os professores têm para trabalhar com as crianças. 


Assista também à entrevista de Ruth Rocha à revista Crescer em 2009, ano em que ela completou 40 anos de carreira.


 

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COMENTÁRIO(S)
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JOSENILDAJOSENILDA disse em 13/06/2015 09h38
É importante a parceria entre escola e família.
LOURDESLOURDES disse em 16/11/2014 15h54
É incentivador, gostei!
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