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EM REVISTACOLUNAS — O PAPEL DOS GESTORES MUNICIPAIS PIAUIENSES NA IMPLEMENTAÇÃO DO PNAIC...

O papel dos gestores municipais piauienses na implementação do Pnaic

Raimunda Alves Melo* 


A alfabetização de crianças tem se constituído em um dos principais desafios das políticas educacionais, no intuito de criar as condições adequadas para a aprendizagem de leitura, escrita e matemática. Nesse sentido, em 2012, foi instituído o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (Pnaic), implementado entre governo federal, estados, municípios e universidades, cujo objetivo é coordenar ações e compromissos com vista à alfabetização de milhões de crianças brasileiras até 8 anos de idade.


No Piauí, onde atuo como supervisora do Pnaic, as ações do Pacto contemplam 450 orientadores de estudo, responsáveis pela formação continuada de mais de 8 mil professores, que ensinam 149.986 crianças matriculadas no ciclo da alfabetização (1º a 3º ano do Ensino Fundamental), distribuídas em 224 municípios.


Dados da Avaliação Nacional da Alfabetização (ANA) 2013, realizada com alunos matriculados no 3º ano do Ensino Fundamental, apontam que a maioria das crianças piauienses foi classificada nos níveis de desempenho mais baixos. De acordo com o resultado, 77,33% dos alunos não sabem o adequado em leitura, estão nos níveis mais baixos, 1 e 2. Em escrita, 56,92% estão nos níveis 1 e 2. O resultado mais preocupante foi em matemática, disciplina em que 78,78% dos estudantes detêm conhecimentos abaixo do mínimo exigido.


Em 2014, o resultado da referida avaliação apontou poucas mudanças em relação ao ano anterior, evidenciando que a maioria das crianças piauienses ainda se concentra nos níveis 1 e 2: 75,83% em leitura, 44,72% em escrita e 78,84 em matemática. O avanço foi de apenas 1,5 em leitura e de 12,22 em escrita. Na área de matemática, não houve crescimento.


Diante dos resultados apontados pela ANA, muitos gestores e educadores têm se questionado sobre a efetividade das ações do Pnaic. Acredito que, por estar estruturado em quatro eixos de atuação, o Pacto apresenta potencial financeiro e pedagógico para apoiar os municípios. No entanto, para a efetividade do programa, é preciso que os gestores municipais (secretários de Educação e gestores locais) articulem suas ações a outras iniciativas locais para que contribuam de fato para a alfabetização de todas as crianças até os 8 anos de idade. Considero, ainda, indispensável aproveitar o momento em que as ações de alfabetização estão em destaque para avançar na implementação de uma política permanente e efetiva.


As contribuições do Pnaic para o delineamento de uma política de alfabetização são:
• orientações para a organização do ciclo da alfabetização;
• subsídios para a organização de um currículo com direitos de aprendizagem − delimitação de conhecimentos e habilidades a serem contemplados nas propostas curriculares e que devem permear a ação pedagógica da escola;
• implementação de processos formativos que partem das experiências e das necessidades dos professores e que refletem sobre a prática de sala de aula;
• disponibilização de materiais didático-pedagógicos que apoiam os professores e que estão associados ao currículo;
• orientações sobre planejamento e intervenções pedagógicas que possibilitam mais efetividade na alfabetização;
• avaliações de processo para dimensionar o nível de alfabetização dos alunos e avaliações externas (Provinha Brasil e ANA), cujos resultados podem subsidiar tomadas de decisões e planejamento de ações na política de alfabetização.


Se, por um lado, o Pnaic pode não abarcar todas as necessidades de ensino-aprendizagem do ciclo da alfabetização em todos os municípios, pois o Piauí, assim como o Brasil, é diverso e contempla várias realidades, por outro, a eficácia do programa depende de um conjunto de ações bem estruturadas e de gestores dispostos a abraçá-lo, implantá-lo e aproveitar suas proposições como ponto de partida para a implantação ou implementação de uma política de alfabetização.


O sucesso do Pnaic depende de uma gestão focada no aprendizado do aluno, tanto no âmbito das secretarias de Educação como no das escolas. Por isso, em primeiro lugar, é essencial que todos os envolvidos no ensino-aprendizagem adotem a causa da alfabetização das crianças. Em segundo lugar, para que as ações sejam bem-sucedidas, é preciso avaliar e fundamentar as políticas de alfabetização em eixos como: diagnóstico, definição de indicadores, criação de estratégias, capacitação sistemática dos envolvidos, monitoramento constante das ações e dos níveis de alfabetização dos alunos, avaliações sistemáticas, integração estratégica e ações para que se tornem, de fato, política pública nos municípios.


Acompanhando municípios do Piauí, tenho observado que o Pnaic tem contribuído sim, com investimentos e ações que favorecem a aprendizagem inicial da língua escrita. Além disso, suas proposições, estruturadas em eixos fundamentais, são valorosas para a organização, em nível de municípios, de uma política pública de alfabetização permanente. No entanto, os entraves observados na execução de suas atividades em parte dos municípios me levam a concluir que é necessário mais compromisso por parte dos gestores públicos na mobilização e na articulação de esforços para que todas as crianças aprendam a ler, a escrever e adquiram conhecimentos matemáticos previstos para cada etapa escolar.


Para tanto, é preciso que gestores e educadores estejam munidos de interesse coletivo e compromisso social para abraçar a causa e se tornarem protagonistas na implementação e execução dessa política em seus municípios, agilizando processos, demandas, recursos, investimentos materiais, humanos e financeiros. O Piauí e o Brasil não podem mais esperar. A alfabetização é um direito social por meio do qual são assegurados outros direitos fundamentais para uma vida mais digna e inclusiva. 


* Mestre em Educação pela Universidade Federal do Piauí (UFPI). Supervisora do Pnaic no Piauí. E-mail: raimundinhamelo@yahoo.com.br.
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Leia os textos anteriores desta colunista:
• “Formação continuada de professores e a Educação do Campo para a Convivência com o Semiárido: desafios e perspectivas
• “Literatura infantil lúdica: uma importante ferramenta para a formação de leitores”. 


Qual é o papel do coordenador pedagógico no Programa Palavra de Criança (Piauí)? Leia a entrevista de Raimunda Alves Melo à Plataforma do Letramento. 


Terceiro ciclo do Pnaic propõe a integração das áreas do conhecimento. Saiba mais em nossa reportagem.

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COMENTÁRIO(S)
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RAIMUNDA ALVES MELORAIMUNDA ALVES MELO disse em 21/11/2015 14h21
Obrigada pela sua participação, Edimilson. Segundo pesquisa que realizamos em 2014, a política educacional de Castelo do Piauí é fortemente influenciada pela metodologia de trabalho dos Programas Educacionais do Instituto Ayrton Senna e do Programa Selo UNICEF Município Aprovado, cujas propostas contemplam eixos como: trabalho com diagnósticos, planejamento, acompanhamento e monitoramento de indicadores, metas e ações, avaliação contínua das políticas e processos, formação contínua, gestão democrática e compartilhada, entre outras. A sua realidade, aparentemente, não é diferente dos demais municípios. No entanto, tem se destacado no cenário estadual e nacional como referência em políticas educacionais e trabalho em rede. Recebeu média 5,5 aferida pelo IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) em 2013. A aprovação é 95%; 90% das crianças são alfabetizadas até o 3º ano do Ensino Fundamental. O abandono escolar em 2014 foi zero. Parabéns a toda equipe de gestores e educadores dessa município.
EDIMILSON PEREIRAEDIMILSON PEREIRA disse em 20/11/2015 23h38
Em castelo do Piauí temos uma experiência muito boa em relação ao Programa. Pois através da metodologia do PNAIC, que não é nada novo para um trabalho com foco atento ao sucesso dos alunos nas escolas públicas, conseguimos assegurar aproximadamente 90% das crianças alfabetizadas na idade certa. Para isso, há um desejo do gestor e da secretaria de educação em que as crianças de Castelo aprendam as habilidades adequadas à sua idade. Os coordenadores tem papel fundamental em orientar, rediscutir formações com os professores que são superimportantes nesse processo, pois são eles quem ficam na ponta, tem a rotina do processo de ensino aprendizagem, a dinâmica mais importantes, aquela feita com os alunos para que eles aprendam, é feita pelos professores. O Diretor da escola não pode desvaloriza essa etapa tão importante no processo educacional e secretários de educação e prefeitos tem que olharem com atenção para esse trabalho, pois é pela educação que conseguimos mudar todos os outros problemas sociais. Menino educado e com conhecimento das coisa, procura uma alimentação saudável dentre outras situações que ajudem em uma vida melhor. É por isso que Castelo do Piauí tem sucesso na educação porque trabalhamos articuladamente com foco no sucesso das crianças. Considerado a importância das famílias, nos reunimos bimestralmente com as famílias para conversarmos sobre a importância da educação para o sucesso das crianças. Tentamos dividir responsabilidades, mas sem fragmentar a situação, ou seja, trabalhar situações particulares é diferente de se isolar da totalidade, mas intervir a partir das realidades menores e de cada escola de maneira articulada com situações mais amplas e de maior expansão. É assim que Castelo faz, é assim que Castelo desvela o segredo de melhor educar.
RAIMUNDA ALVES MELORAIMUNDA ALVES MELO disse em 20/11/2015 23h34
Isso mesmo, Edimilson. Uma política pública não é uma colcha de retalhos em que as partes não se integram e nem se complementam, mas um conjunto de elementos que se interligam, com vistas ao comprimento de um fim: o bem comum da população a quem se destina. Assegurar a gestão eficiente das políticas de alfabetização implica em: atender aos anseios e necessidades educacionais da comunidade; respeitar aos preceitos legais da educação; definir competências a serem desenvolvidas por todos os alunos, em cada ano escolar; respeitar o regime de colaboração; orientar cada unidade para que elabore o seu plano de trabalho; assegurar infraestrutura organizacional da rede de ensino e os recursos necessários; respeitar e se articular com órgãos representativos da sociedade; fazer o acompanhamento e o apoio sistemático às unidades escolares; assegurar avaliações periódicas das ações planejadas e garantir a transparência na comunicação com a comunidade. Parabéns pela sua participação.
EDIMILSON PEREIRAEDIMILSON PEREIRA disse em 20/11/2015 23h18
É muito pertinente quando você coloca a importância dos gestores para o sucesso do programa, pois a intencionalidade de quem está à frente dos programas sociais é de fundamental importância para o sucesso da intervenção. Outro fator importante que você aponta, é o suporte financeiro. Em qualquer programa de políticas públicas faz-se necessário um olhar sobre a necessidade de uma intervenção e, esta deve gerar um desejo com foco em resolutividade dos problemas por parte de quem estar na linha de frente. Outro ponto muito importante é o suporte pedagógico que o programa traz para os municípios com uma metodologia de capacitação e orientações pedagógicos que atenda a necessidade de cada município, de cada escola e de cada aluno. Tudo isso é muito bom, mas porque ainda temos uma porcentagem de sucesso que é insatisfatória? Todas as políticas públicas e programas sociais devem passar pelo crivo da avaliação, pois trata-se de uma peça do quebra cabeça de uma política de intervenção. A avaliação é o momento para buscarmos refletir sobre a questão colocada. Dessa forma é importante a fala da Raimunda ao colocar a importância e responsabilidade de cada um dos envolvidos no processo de ensino aprendizagem, mas destaca-se a importância e a necessidade do olhar intencional dos gestores. Ainda considero importante ter atenção as particularidades das necessidades e, aqui podemos destacar os entraves da alfabetização na idade certa, mas sem perder de vista a totalidade da problemática que é o trabalho no ciclo da alfabetização. Dizemos isso, porque intervir em um problemática social é pensar suas particularidades dentre de um todo a ser também considerado.
RAIMUNDA ALVES MELORAIMUNDA ALVES MELO disse em 20/11/2015 23h09
Elisangela Maria, Maria de Lourdes e Francisco Marcos, primeiramente parabenizo a participação de vocês nas discussões. Em segundo lugar, destaco que os relatos registrados ilustram com exemplos reais o que temos defendido até agora: “O papel dos gestores municipais piauienses na implementação do Pnaic”. Demonstram como a gestão municipal realiza a integração das ações do PNAIC a outras iniciativas promovidas pela Secretaria Municipal de Educação, bem como a outros programas do governo federal como o Programa Mais Educação e o Programa Saúde na Escola. E não apenas isso mas também como fazem a integração da Educação Infantil e Ensino Fundamental. Parabéns!
FRANCISCO MARCOSFRANCISCO MARCOS disse em 20/11/2015 19h00
Voltando a discussão porque a considerei bastante calorosa e importante, venho discutir as experiências vivenciadas em Buriti dos Montes. Aqui a atenção ao processo de alfabetização acontece ainda na educação infantil, não no sentido de alfabetizar as crianças efetivamente, mas nossas escolas tem ofertado às crianças, já nesta fase inicial de escolarização, possibilidades para desenvolver comportamentos leitores quando a própria rotina traz diversos momento de leitura, contação de histórias, etc. Isso permite que as primeiras experiências das crianças sejam positivas em relação ao processo de aquisição da leitura e consequentemente da escrita. Integrado a isso, o ciclo de alfabetização, por meio do Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa, tem oferecido possibilidades múltiplas para garantir que a alfabetização e o letramento aconteçam com qualidade. Esta integração entre educação infantil e o ciclo de alfabetização considera as crianças seres completos, seres que tem conhecimentos que precisam ser desenvolvidos de forma contínua. Além disso, Buriti dos Montes conta com participação efetiva dos gestores escolares no acompanhamento pedagógico, no monitoramento de índices de alfabetização, organização da escola para oferta de atendimentos individualizados à aquelas crianças que tem mais dificuldades para aprender, etc. Tudo isso são aspectos bastante positivos para que nossas experiências sejam exitosas. Nesse sentido, reflito que o PNAIC tem um desenho muito vantajoso, mas é preciso que haja efetivamente a execução das práticas por ele propostas e principalmente a responsabilidade de professores e dos gestores qualificar cada vez mais a alfabetização em sua escolas.
MARIA DE LOURDESMARIA DE LOURDES disse em 20/11/2015 17h47
Aqui em Buriti dos Montes as ações do PNAIC são integradas as ações de outros programas como: Programa Mais Educação por meio do encaminhamento de crianças que ainda não sabem ler para as oficinas de letramento, Programa Saúde na Escola através de ações intersetorais entre serviços de saúde e educação para a promoção da saúde para crianças, Plano Municipal de Incentivo a Leitura e Escrita cuja proposta metodológica é voltada para a aprendizagem da leitura e da escrita, para a formação de alunos leitores e consequentemente para uma aprendizagem ampla e interdisciplinar. Além disso, realizamos investimentos na melhoria da estrutura das escolas, na valorização dos profissionais da educação, na formação contínua dos profissionais. Oferecemos também atenção especial à Educação Infantil e a alfabetização na idade certa. Garantimos a distribuição de material escolar grátis, o incentivo a formação de alunos leitores por meio de projetos como Campeões de Leitura e Chá com Arte, fortalecemos, ano a ano, a parceria com as famílias, entre outros ações. Com todos esses investimentos garantimos que 90% das crianças do 1º ano leiam pequenos textos, 95% das matriculadas no 2º leiam, interpretem e produzam textos compatíveis com a faixa etária e 96% de crianças alfabetizadas no 3º ano. Aqui o IDEB é 6,1 (o melhor do Piauí).
ELISANGELA MARIAELISANGELA MARIA disse em 20/11/2015 17h41
Em Buriti dos Montes, a alfabetização das crianças é planejada de forma sistemática e com prioridade nos processos de acompanhamento e formação de professores. A formação contempla discussões teóricas e práticas, planejadas a partir do diagnóstico que aponta o nível de alfabetização dos alunos, e orientações para que os professores possam acompanhá-los e apoiá-los no processo de aprendizagem. Periodicamente são aplicadas avaliações diagnósticas internas para verificar a aprendizagem e as dificuldades não superadas. Além dessas, são aplicadas avaliações oficiais (Provinha Brasil e ANA – Avaliação Nacional da Alfabetização, Avaliação do Programa Palavra de Criança) com o objetivo de acompanhar a aprendizagem e promover intervenções. Estas iniciativas foram incrementadas pelas ações do PNAIC - Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa, que além de fornecer caixas de literatura infantil para todas as turmas do 1º, 2º e 3º ano do Ensino Fundamental, também incentiva que os professores confeccionem cantinhos de leitura, fornece formação continuada que aborda o tema e orientações sobre como os professores podem utilizar as obras literárias tanto como ponto de partida para a construção do conhecimento escolar por meio de sequencias didáticas, como também de projetos que objetivam a formação de alunos leitores.
RAIMUNDA ALVES MELORAIMUNDA ALVES MELO disse em 20/11/2015 13h17
Bom dia, José Zimar. Que bom conhecer as experiências do Estado do Ceará, cuja política do PAIC foi referência para a implementação do PNAIC. No Brasil, dados do Movimento Todos pela Educação aponta que a condição do aprendizado do aluno em cada série ainda deixa muito a desejar, pois menos de 40% dos estudantes do 5º ano do Ensino Fundamental possuem aprendizagem compatível com a série que cursam. A falta de uma alfabetização efetiva é uma das principais razões pelas quais as crianças não conseguem ler, interpretar e produzir textos. Para crianças que terminam a fase de alfabetização sem ter adquirido os direitos de aprendizagem de leitura e escrita, o caminho será difícil para a continuidade nos estudos. Algumas delas abandonam a escola nos primeiros anos de escolarização. É preciso reconhecer que, quando o aluno não obtém sucesso no ciclo da alfabetização terá muitas dificuldades no restante de sua vida acadêmica, pois é muito difícil recuperar nas séries seguintes as dificuldades de leitura e escrita, sobretudo considerando que, em geral, são alunos que, devido ao fracasso escolar, desenvolveram baixa autoestima, descrença em suas possibilidades e desinteresse pela aprendizagem. Assim sendo, é preciso uma atenção especial aos processos de alfabetização.
RAIMUNDA ALVES MELORAIMUNDA ALVES MELO disse em 20/11/2015 13h06
Parabéns, Jesus. Belíssimo posicionamento. Assegurar educação de qualidade, depende da implantação de uma política coordenada e sistêmica, com ações integradas que se efetivam sob a orientação de objetivos comuns, estruturada a partir de princípios, de parcerias internas e externas, de compromisso político e ético e do envolvimento da comunidade escolar e local.
RAIMUNDA ALVES MELORAIMUNDA ALVES MELO disse em 20/11/2015 12h59
Muito obrigada pela sua participação, Rita. Transformar as escolas e suas práticas culturais tradicionais e burocráticas que, por intermédio da ineficácia das práticas de alfabetização acentuam a exclusão social, não é tarefa simples. O grande desafio é educar crianças proporcionando-lhes desenvolvimento humano, cultural, científico e tecnológico, de modo que adquiram condições para fazer frente às exigências do mundo contemporâneo e um dos primeiros passos é a alfabetização na idade certa. Tal objetivo exige esforço constante da comunidade escolar – diretores, coordenadores, professores, funcionários, famílias, alunos, governantes e de outros grupos organizados, tendo em vista as dificuldades que precisam ser enfrentadas no campo da efetividade e eficiência das políticas educacionais em suas diferentes nuances. Como você mesma afirma “Enquanto essas condições não chegam para o professor, o exercício é refletir sobre a realidade que se apresenta a nós e ver quais possibilidades temos de não deixar a criança sair da escola completamente desapercebida do que veio buscar”. Que cada educador brasileiro tenha o compromisso político, que ainda falta em alguns gestores públicos!
JOSÉ ZILMARJOSÉ ZILMAR disse em 20/11/2015 11h31
Interessante. Ontem mesmo estive participando das atividades de aplicação na avaliação do Prova Brasil. Sabe o que percebi? Que realmente o que se deve ser valorizado em nosso alunos, no processo educativo, é a importância do saber ler acompanhado com o saber o que se está lendo, ou seja, muitos alunos não tem um bom desempenho nessas avaliações exatamente por terem uma grande dificuldade em interpretar aquilo que é questionado nas perguntas. Como vou saber responder a algo que não soube interpretar na pergunta? O que realmente temos é analfabetos funcionais, crianças que chegam no 5º Ano do Ensino Fundamental sem saber ler e escrever, e essas angústias não sao privilégios dos profissionais do estado do Piauí, isso é em nível nacional. O PAIC que foi um projeto pioneiro aqui no estado do Ceará, virou modelo nacional PNAIC com o intuito de valorizar exatamente essa fase de escolarização, com a responsabilidade de fazer com que o aluno aprenda, na idade certa, a ler e escrever. Porém, dado a dificuldade de muitos profissionais em trabalhar o projeto, a inviabilidade torna-se algo gritante, por exatamente alguns não saberem como trabalhar na perspectiva da ação efetiva do modelo. Há contudo, a necessidade de um suporte melhor a esse profissional, em todos os sentidos. Enfim, projetos existem muitos, más a forma como são trabalhados é que faz com que permaneça a penúria e a precarização nessas ações, quase sempre ineficazes. O que precisamos mesmo é de uma melhor condição de trabalho e não a necessidade de projetos que venham, como sempre procurar remediar, e não prevenir essa decadência. Como sempre o Brasil é o país da cultura de remediar e não de previnir.
JESUSJESUS disse em 19/11/2015 01h09
Não há como falar em PNAIC sem ilustrar a figura do gestor como maestro que rege esta orquestra tão melindrosa conhecida como alfabetização das crianças . Como bem pontuou a nossa querida Raimundinha é ele o protagonista de ações o que para isso, é primordial que a sua gestão se estruture alinhada à uma concepção de alfabetização que cumpra sua função social enquanto propiciadora de conhecimentos que garantam condições de efetivação desse processo.
RITARITA disse em 19/11/2015 00h48
Acredito que tudo que é pensado no sentido de melhorar a educação da sociedade é muito importante. O Pnaic é mais um dos programas criados com este intuito. É uma pena que ainda não se criou, no Brasil, uma escola para receber os programas que são criados pelo insucesso da escola que temos. Concordo com você, Raimundinha, quando diz que "... é necessário mais compromisso por parte dos gestores públicos na mobilização e na articulação de esforços para que todas as crianças aprendam a ler, a escrever e adquiram conhecimentos matemáticos previstos para cada etapa escolar." Penso que instrumentalizar o professor, em todos os aspectos, seja a saída mais barata ao "o poder público" para que a educação se efetive com a qualidade necessária, pois de posse do como fazer e das condições necessárias para isso, o professor envolve o aluno, a família dele e quem mais tiver responsabilidade sobre a situação. Enquanto essas condições não chegam para o professor, o exercício é refletir sobre a realidade que se apresenta a nós e ver quais possibilidades temos de não deixar a criança sair da escola completamente desapercebida do que veio buscar.
RAIMUNDA ALVES MELORAIMUNDA ALVES MELO disse em 18/11/2015 23h40
Obrigada, Júnior. Em âmbito educacional, a gestão escolar vem ganhando relevância enquanto elemento estratégico, cuja capacidade e abrangência pode contribuir significativamente para a melhoria da qualidade da educação. Nesse cenário, se exige do gestor escolar a capacidade de conviver coletivamente, gerenciar ambientes cada vez mais complexo, manejar tecnologias emergentes, assumir responsabilidade pelos resultados, saber expressar-se e escutar, fundamentar teoricamente suas decisões, se comprometer com a emancipação e autonomia intelectual dos funcionários, ter visão pluralista das situações, entre outras competências. Diante de tantas demandas e exigências, os gestores escolares não podem esquecer que o principal objetivo é a aprendizagem das crianças e que devem ser mobilizadores e estimuladores do desenvolvimento, da construção do conhecimento e da aprendizagem orientada para a cidadania competente. Buriti dos Montes é uma referência em alfabetização!
RAIMUNDA ALVES MELORAIMUNDA ALVES MELO disse em 18/11/2015 23h30
Obrigada pela sua participação, Gleyson. Para que o Pacto atinja ampla e plenamente seus objetivos não basta apenas que o professor participe do processo de formação, mas também que sejam oferecidas condições de trabalho, apoio pedagógico e valorização. O professor possui papel de destaque no processo de melhoria da qualidade da educação, pois é ele quem seleciona e organiza conhecimentos, bem como articula as condições que propiciam a aprendizagem dos alunos. Pelo valor atribuído a esse profissional como um dos principais agentes capazes de materializar as ações que garantem a alfabetização na idade certa é preciso apoiá-lo e valorizá-lo verdadeiramente.
JUNIORJUNIOR disse em 18/11/2015 23h24
É notório que a rotina do Diretor é composta de diversas atividades diárias, muitas vezes tudo que o gestor planejou para um determinado dia tem que ser interrompido pelas urgências diárias da escola, que vai desde a estrutura física da escola quanto à estrutura humana (Professores, alunos, pais e funcionários), mas mesmo diante tantas atividades sua importância é fundamental para o processo de alfabetização. Parabenizo o trabalho da Professora Raimunda Melo em nosso município, pois como pedagogo admiro a dedicação de todo o corpo docente, gestores e coordenadores dessa crescente na alfabetização no município e como pai me orgulho por meus filhos estudarem e fazerem parte deste processo que a cada dia fica mais visível e com resultados positivos.
GLEISONGLEISON disse em 18/11/2015 23h15
O processo de alfabetização hoje é de fato uma pauta muito focada e discutida tanto no âmbito político, quanto educacional. Com isso muitos programas vêm sendo implantados nos mais diversos municípios, com o intuito de melhorar a atual visão que se tem do processo de alfabetização. O Pacto pela Alfabetização na Idade Certa – PNAIC, é um exemplo claríssimo de inovação, preocupação e investimento no processo de alfabetização, uma vez que visa garantir o direito à alfabetização plena a todas as crianças até os oito anos de idade. No entanto por ser um programa que contempla a participação da União, estados, municípios e instituições de todo o país ainda deixa muito a desejar, porque muitas dessas instituições anteriormente citadas ainda não abraçaram verdadeiramente a causa proposta pelo programa. Dentro desse contexto vejo que um dos principais entraves que dificulta a efetivação da proposta do Pacto é a falta de valorização do professor alfabetizador. Os gestores tem plena convicção de que é preciso garantir uma educação de qualidade, no entanto precisam ter consciência que nesse aspecto uma das estratégias essenciais é a formação dos atores-chave desse processo: Os alfabetizadores, profissionais que em função do alcance social do seu trabalho devem ser prestigiados e valorizados de todas as formas, não apenas financeira, mas, sobretudo com a oferta de condições para que possam aprofundar seus conhecimentos teóricos, ampliar o domínio de estratégias metodológicas e principalmente, desenvolver habilidades pessoais para superar as mais diversas situações que surgem em sua prática docente como alfabetizador.
RAIMUNDA ALVES MELORAIMUNDA ALVES MELO disse em 18/11/2015 21h23
Obrigada, Cícera Jaqueline. Um dos aspectos mais importantes do PNAIC é o fato de ser uma políticas ampla, abrangente, que contempla a 5.421 municípios, todos os estados brasileiros atendendo a uma totalidade de 7 milhões de estudantes dos três anos do ciclo de alfabetização, em 108 mil escolas, ou seja são muitos sujeitos (crianças, educadores, formadores, gestores) contemplados pelas suas ações. Um segundo ponto é que ao contrário das propostas anteriores, suas ações apoiam-se em eixos de atuação que são relevantes para a alfabetização: formação continuada presencial para os professores alfabetizadores, orientadores de estudo e coordenadores municipais; materiais didáticos, obras literárias, obras de apoio pedagógico, jogos e tecnologias educacionais; avaliações sistemáticas, e gestão, mobilização e controle social. Como você afirma é o resultado de uma ação conjunta que envolve Universidades, governos Federal, Estadual e Municipal.
CICERA JAQUELINECICERA JAQUELINE disse em 18/11/2015 21h15
Muito pertinente essa discussão, uma vez que o Programa é resultado de uma ação conjunta entre os governos Federal, Estadual e Municipal portanto essa pauta onde discute o papel dos gestores municipais piauiense na implementação do PNAIC é plausível. Parabéns Prof. Raimundinha Melo através da qual parabenizo toda a equipe que esta a frente do Programa no nosso estado por tão grande compromisso e dedicação. Nós só agradecemos. Juntos faremos a grande diferença!
RAIMUNDA ALVES MELORAIMUNDA ALVES MELO disse em 18/11/2015 21h01
Obrigada pela sua participação, Marcela. Concordo com você. Apesar do PNAIC focar suas ações especialmente nos professores precisamos considerar a necessidade de apoio dos dirigentes municipais de educação e gestores escolares, de modo a garantir a devida distribuição e complementação do material didático e pedagógico, o fomento a participação de professores nos processos de formação continuada que deve ser realizada de forma efetiva, apoio aos trabalhos realizados pelos professores juntos as crianças, mobilização das famílias, condições de trabalho, entre outras coisas. Esses são pontos que ainda precisam ser melhorados.
MARCELLAMARCELLA disse em 18/11/2015 20h55
O PNAIC foi muito bem pensado, porém como bem ressaltou Raimunda Melo, sua eficácia depende de um conjunto de ações bem estruturadas e de gestores dispostos a abraçá-lo, um bom gestor pode alavancar as ações do programa assegurando a aprendizagem das crianças. Sabemos que a educação é um processo contínuo, que precisa ser reinventado a cada dia, e o programa chama os envolvidos no processo de alfabetização para a reflexão sobre sua prática, especialmente os professores, que são contemplados com sugestões que enriquecem sua prática. Parabenizo a autora pela excelente escrita que traduz com clareza detalhes tão importantes para a implementação deste programa, visando assegurar a alfabetização plena de nossas crianças.
RAIMUNDA ALVES MELORAIMUNDA ALVES MELO disse em 18/11/2015 20h46
Boa noite, Maria Leidiane. Obrigada pela sua participação. A transição da educação infantil e ensino fundamental é um dos momentos cruciais na vida das crianças, e suas implicações têm sido objeto de pesquisa ao longo das últimas décadas. Estudos realizados por Moss (2008) apontam que essa transição deve ser realizada por meio se um encontro pedagógico em que as práticas educativas e concepções de ambas as etapas da educação básica se integrem a partir do reconhecimento de suas diferentes histórias, concepções e objetivos. Esse processo de transição deve ser realizado por meio de propostas educativas permeadas por uma dimensão cultural de valorização da arte, da vida, da brincadeira e do conhecimento escolar, orientadas por profissionais que as reconheçam como crianças e não apenas como estudantes.
MARIA LEIDIANE OLIVEIRAMARIA LEIDIANE OLIVEIRA disse em 18/11/2015 20h26
A alfabetização continua sendo uma pauta nas discussões escolares; pois é uma continuidade de uma educação infantil que também deve ser realizada com um grande progresso, ou seja é uma base de adaptação escolar na vida da criança, é o primeiro contato que elas tem com outras crianças, com seu material escolar, mas que não se pode deixar que fique só parte da coordenação motora, no convívio com os coleguinhas, com as professoras, que seja realizado um trabalho preparativo para as outra séries que irão ser continuadas, como a alfabetização que tem que ser bem trabalhada, porque ela é a base da leitura e escrita, então já está na hora de o município, os gestores e professores abraçarem essa causa, e juntos contribuírem para uma educação de ótima qualidade.
RAIMUNDA ALVES MELORAIMUNDA ALVES MELO disse em 18/11/2015 19h39
Obrigada, Marcos. Suas palavras evidenciam a importância do trabalho coletivo, do compartilhamento de responsabilidades e do compromisso social que cada um de nós deve ter com a educação das crianças, pois o acesso à aprendizagem da leitura e da escrita são condições essenciais para o desenvolvimento da cidadania e a escola tem um papel importante a desempenhar na concretização desse direito, contribuindo na construção do conhecimento de crianças e a leitura do mundo. Parabéns pela sua participação.
FRANCISCO MARCOSFRANCISCO MARCOS disse em 18/11/2015 19h21
A alfabetização tem sido motivo de muitos debates, políticas públicas e projetos, isto é, tem envolvido cada vez mais pessoas para garantir que as crianças estejam alfabetizadas. No entanto, os muitos esforços que tem sido mobilizados ainda são insuficientes para atender a todo a demanda brasileira, é preciso cada vez mais atenção por parte dos governos, das secretarias de educação e principalmente por parte daqueles que estão diretamente em contato diário com as crianças: professores e gestores escolares. Por mais que as políticas sejam lançadas as escolas, os maiores recursos sejam disponibilizados, mas se o trabalho efetivo não acontecer nas escolas o sonho da alfabetização na idade certa não se consolida. É preciso realmente que esse abraço seja dado a esta causa e que seja realmente um abraço verdadeiro, abraço sensível, abraço de amor, de esperança de que estamos no caminho certo e fazendo o melhor pelas nossas crianças. Esta discussão me faz lembrar de uma frase muito proferida aqui em Buriti dos Montes: Educação não dever visto como gasto público, mas um investimento com retorno garantido. O texto apresentado nos dá uma boa noção da importância do Pacto e o que vem acontecendo desde sua implantação mostrando resultados positivos em relação as práticas e esforços que vem sendo feitas. Parabéns a professora Raimundinha pela leitura agradável que tem nos ofertado e pelas reflexões propostas a cada um de nós leitores.
RAIMUNDA ALVES MELORAIMUNDA ALVES MELO disse em 18/11/2015 17h43
Resposta: Boa tarde, Desterro. Primeiramente agradeço a você pela participação assídua na minha coluna. Fico feliz por compartilharmos da mesma crença, que também é compartilhada por muitos autores. Sônia Kramer, por exemplo, afirma que ao longo de toda a sua história, a alfabetização tem se consolidado como um problema social, um impasse, um obstáculo de difícil superação, pois o Brasil ainda é um dos países com índices mais altos de analfabetismo em todo o mundo. A universalização das matrículas no ensino fundamental de crianças com idades entre 7 e 14 anos foi um importante passo, mas, por outro lado, apenas uma parcela das crianças apresenta desempenho adequado para cada ano escolar, e grande parte das que concluem o ensino fundamental, ainda não estão plenamente alfabetizadas. Embora a ampliação do atendimento escolar seja relevante e contribua para o processo de diminuição do analfabetismo, compreendemos que somente o acesso, é insuficiente para assegurar o direito à alfabetização até o final do 3º ano do ensino fundamental. Por isso, os gestores públicos precisam se responsabilizar mais pelas políticas públicas, e notadamente pela qualidade da educação em seus municípios.
DESTERRO BARROSDESTERRO BARROS disse em 18/11/2015 16h18
A Alfabetização em nosso país, ainda continua na pauta das discussões. Isso porque, ao longo da história, a escola brasileira tem fracassado em sua tarefa de garantir o direito de todos os alunos à alfabetização. Em um primeiro momento, porque o acesso à escola consiste na entrada e permanência do aluno, com direito ao ensino de qualidade, o que não vem acontecendo; isso porque mesmo com a democratização do acesso, a escola não conseguiu ensinar efetivamente todos os alunos a ler e escrever, especialmente quando provêm de grupos sociais não letrados. Sendo assim, se faz realmente necessário que os gestores municipais abracem a causa e entendam as concepções nas quais se apoia a alfabetização do seu município e procure fortalecer as práticas alfabetizadoras contribuindo para uma educação de qualidade.
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