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EM REVISTACOLUNAS — NO ESCURINHO DO CINEMA...

No escurinho do cinema

Jorge Miguel Marinho*


Os minicontos, com brevidade, estão sempre com a câmera ligada para captar sentimentos enormes: a solidão, a amizade, a despedida, a paixão, a espera. Por isso mesmo, eles adoram dar um take na magia do cinema. É como se essas narrativas fotográficas fizessem uma parceria com a arte cinematográfica e decidissem criar shortcuts. O resultado é um feliz casamento da imagem visual com a precisão instantânea da palavra.


O que existe é uma cumplicidade visível entre a cena súbita, momentânea e repentina dos filmes e o sentido fotográfico, rápido e premente de uma breve história. História que precisa de toda a concisão para capturar a fugacidade da vida.


Portanto, luz, câmera, ação – que os minicontos deixem rolar um close-up e revelem, como um cameraman obstinado, pequenos instantâneos que curtimos no escurinho do cinema e persistem no flashback da memória e da imaginação.










*Jorge Miguel Marinho é professor de Literatura Brasileira com pós-graduação pela Universidade de São Paulo (USP), coordenador de oficinas de criação literária, dramaturgo, roteirista, ator, pesquisador de componentes lúdicos na crítica literária com os livros Nem tudo que é sólido desmancha no ar – ensaios de peso e A convite das palavras – motivações para ler, escrever e criar, autor de livros de ficção literária, entre eles, Te dou a lua amanhã – uma biofantasia de Mário de Andrade e  Lis no peito – um livro que pede perdão, premiados com o Jabuti.
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Leia outros textos desta coluna:
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