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EM REVISTACOLUNAS — POKÉMON GO PODE NOS AJUDAR A LER AS CIDADES?...

Pokémon GO pode nos ajudar a ler as cidades?

Paula Carolei


O mundo dos games sempre nos surpreende com novidades, e convido-os a olhar as emergências trazidas por esses fenômenos gamers e como elas impactam a nossa forma de ler e interagir com o mundo.


Um dos games de maior repercussão em 2016 foi o Pokémon GO, que gerou um engajamento espantoso e, com isso, muita especulação, notícias, juízos de valor. Junto com o status de novidade, acabam gerando consumismo e análises redutoras.


Para ir além das polarizações, é interessante olhar os movimentos gamers, não de forma linear e em termos de causas e efeitos, mas analisar as diversas camadas e variáveis envolvidas, buscando entender como essa complexidade pode nos trazer outras leituras sobre o jovem, sobre suas motivações e engajamentos, sobre os espaços de convivência, sobre as relações que podem ser aprofundadas com a cidade. Agora, depois que a febre da novidade diminuiu um pouco, é possível perceber o que se perdeu, o que continua forte, o que está sendo reinventado e as várias potencialidades educacionais que surgem nessas ondas. 


O primeiro motivo do sucesso do jogo é a própria temática do Pokémon, que remete a personagens de produtos culturais que encantaram várias gerações e que nunca saíram de moda. Isso por si só já engaja, pela vontade de procurar, colecionar, competir pelos vários monstrinhos, que muitas vezes relembram uma infância ou mesmo conquistam as gerações mais jovens.


Mas a singularidade tecnológica desse jogo vem da realidade aumentada, ou seja, os pokémons extrapolaram seu universo original, os produtos exclusivamente físicos ou digitais (TV, games, revistas, cards etc.), e tomaram ruas, praças, grafites e locais de patrimônio histórico. A realidade aumentada permite associar camadas digitais em espaços físicos e, com isso, é possível criar games chamados de pervasivos, que são aqueles em que se misturam as projeções virtuais com ações em espaços físicos. Então, a grande novidade foi “sair para a rua”.



Não podemos negar o quanto os parques e as praças passaram a ser mais frequentados por conta do Pokémon GO. Além disso, muitas ações do game − como chocar os ovos de pokémon e ganhar doces para alimentar os monstrinhos − exigem que os jogadores percorram distâncias, o que também estimula a atividade física.


Apesar desse engajamento e dessa nova ocupação do espaço público, vale trazer questionamentos para aprofundar a natureza dessas relações. O jogo tem dois tipos de espaços de interesse: pokestops (locais onde se encontram artefatos virtuais que ajudam a capturar, alimentar e curar os monstrinhos) e os ginásios (onde se colocam os pokémons para lutar). Além disso, os personagens são encontrados em diversos lugares das cidades, via sinal de GPS (sistema de posicionamento global), e a diversão é encontrar e capturar os mais raros.

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