Compartilhar Facebook   
Favoritar
ACERVOPARA APROFUNDAR — AS LINHAS TORTAS DA LEITURA NO CHÃO DE GRACILIANO RAMOS...

As linhas tortas da leitura no chão de Graciliano Ramos

Neste artigo, elaborado para a Plataforma do Letramento, Simone Cavalcante, escritora alagoana, registra sua incursão pelas cidades onde seu conterrâneo Graciliano Ramos estudou e se iniciou no mundo do trabalho e da palavra escrita. Como observa a pesquisadora, a vida escolar irregular, a alfabetização tardia e dificultosa, o ambiente repressor eram alguns dos fatores que poderiam levar Graciliano a se tornar mais um número nas estatísticas do fracasso escolar. No entanto, o acesso à biblioteca do tabelião Jerônimo Barreto, em Viçosa (AL), foi fundamental para mudar o rumo de sua história pessoal e brindar nossa literatura com um de seus maiores nomes.


Além de leitor voraz e escritor brilhante, o Velho Graça, como é carinhosamente chamado, tornou-se uma referência de administração pública, sobretudo na área da educação. Durante sua vivência em Alagoas, o romancista dirigiu a prefeitura de Palmeira dos Índios, a Imprensa Oficial e a Instrução Pública do Estado, que equivale hoje à Secretaria de Educação. As estatísticas da época mostravam a situação trágica da educação: em 1931, apenas 1% da população em idade escolar concluíra o curso primário. Havia carência de merenda, uniforme e instalações físicas adequadas nas 47 escolas municipais e nas 327 estaduais. Além disso, a maioria das professoras no estado era analfabeta.


No exercício dessas funções públicas, a preocupação de Graciliano Ramos com a educação local é notável. Objetivando a melhoria das condições de ensino, o escritor equiparou o salário das professoras da zona rural com o da capital, instituiu concurso público obrigatório para as educadoras do ensino primário, ampliou o acesso de alunos às escolas e oportunizou a algumas crianças negras o direito de frequentar a sala de aula, desafiando o preconceito vigente, entre outras atitudes ousadas para a época.


Hoje, mais de 80 anos após a experiência quixotesca do Velho Graça como administrador público, como são os ambientes educacionais e as estratégias de letramento e formação leitora em Alagoas, o estado com o pior Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb)? Movida por essas inquietações, a autora deste artigo, que além de escritora é formadora de leitores, decidiu seguir as trilhas de Graciliano, numa viagem com quatro rotas: Quebrangulo, Viçosa, Palmeira dos Índios e Maceió. Seu propósito é saber como anda o ambiente do livro e da leitura literária nessas cidades, sobretudo nas escolas públicas de Ensino Fundamental. Acompanhe o itinerário da pesquisadora pelo chão de Graciliano lendo o artigo.


Sobre a autora
Simone Cavalcante é escritora, jornalista e produtora cultural, com mestrado em Estudos Literários pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Realiza palestras, formações e projetos de circulação literária. Com a jornalista e escritora Claudia Lins, idealizou o Ler é Minha Praia, projeto de circulação literária voltado ao público infantojuvenil, realização do Portal Mundo Leitura e do Programa Leitura Viva Espaço Educar, em Maceió. É autora dos livros infantis: A cultura alagoana para crianças, Os segredos da mata, Bob no país das verdurinhas Ventania e o mapa do tesouro. Em parceria com Claudia Lins, escreveu Sete histórias de amor e encantamento. 

VOLTAR
COMENTÁRIO(S)
Faça login para comentar neste artigo, clique aqui!
ZILMAZILMA disse em 29/07/2016 12h48
Quero em primeiro momento parabenizar a autora Simone Cavalcante pelo artigo, que traz em seu bojo a historicidade do escritor Graciliano Ramos, sobretudo desvendando o andamento da prática de leitura, como frisa a autora em quatro rotas em linha de pesquisa em detrimento em buscar entender como anda as práticas de leitura.
LUZIALUZIA disse em 01/11/2015 02h01
Excelente artigo. Digno de ser lido por muitas pessoas... Pena que educação, em nossos dias, não é considerada como prioridade e fator que sustenta uma nação.
Licença Creative CommonsEste trabalho foi licenciado com
uma Licença Creative Commons
PARCERIAS