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ACERVOPARA APROFUNDAR — TRAVESSIAS LITERÁRIAS PELAS ÁGUAS AMAZÔNICAS...

Travessias literárias pelas águas amazônicas

Neste artigo, Maria Regina Figueiredo Horta, uma das assessoras do Especial Literatura na escola, conta a realização de um sonho pessoal: conhecer a Amazônia. Sua aproximação a essa região tão visada nacional e internacionalmente por suas riquezas naturais se deu por meio da literatura. Ao longo do texto, a autora narra como sua visão sobre a região e seus habitantes mudou por meio de diferentes leituras e das viagens que fez ao local.


Ainda na infância, o olhar que tinha da região como um mundo mágico coberto por águas sem fim era alimentado pela leitura de mitos e lendas da região recontados por Monteiro Lobato. Na adolescência, as leituras escolares trouxeram a temática indígena pela ótica da literatura árcade e romântica, presente nos livros de José de Alencar, por exemplo. Já na universidade, o véu da idealização se desfez pelo contato com reportagens e análises acadêmicas que denunciavam os graves problemas enfrentados pelas populações indígenas.


A primeira viagem a uma das capitais da Amazônia, Belém (PA), aconteceu na década de 1970, quando a imagem formada por diversas camadas de leitura se defrontou com a exuberância real de seus rios e de suas matas, assim como os graves problemas sociais da região. Quatro décadas mais tarde, em 2016, a educadora retornou ao Pará, desta vez como mediadora voluntária, acompanhando um grupo de jovens participantes de um projeto de inclusão do Núcleo Morungaba, associação que trabalha com pessoas com deficiência física ou intelectual, em São Paulo.


Como relata a autora, a viagem aconteceu na mesma ocasião em que estava elaborando as atividades do Especial Literatura na escola. Foi, assim, inevitável associar os locais visitados a obras que têm como cenário a região Norte e estão presentes naquele material: I Juca Pirama, do maranhense Gonçalves Dias, Meu vô Apolinário, do paraense Daniel Munduruku, Contos amazônicos, de Inglês de Sousa, Amazonas – águas, pássaros, seres e milagres, do poeta amazonense Thiago de Mello, e Dois irmãos, de Milton Hatoum.


Maria Regina conta as ricas experiências vividas durante a viagem, entre elas visitar comunidades ribeirinhas inseridas na Reserva Extrativista de Tapajós-Arapiuns, conhecer Maria Odila Godinho, líder local que recebeu o título de Guardiã da Floresta, e presenciar o trabalho de cooperativas que desenvolvem atividades econômicas sustentáveis. Outra experiência memorável foi participar de rodas de leitura e conversa com moradores dessas comunidades, às margens do rio Arapiuns, ouvindo os sons da natureza, sentados em círculo em pequenos bancos de madeira ou no chão de terra batida, entregues à escuta dos belos poemas de Thiago de Mello sobre os mitos amazônicos.


Sobre a autora: Maria Regina Figueiredo Horta é licenciada em Letras e em Filosofia pela Universidade de São Paulo (USP). Foi professora da rede pública e particular, atuando no ciclo II do Ensino Fundamental, no Ensino Médio e na educação superior. Atualmente faz cursos de especialização em Filosofia Antiga e é formadora de professores na área de Língua Portuguesa, leitura e produção de textos, pelo Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec).


Referência:  HORTA, Maria Regina Figueiredo. “Travessias literárias pelas águas amazônicas”. 
São Paulo: Plataforma do Letramento, mar. 2017.

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COMENTÁRIO(S)
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ROZINEIDEROZINEIDE disse em 24/03/2017 15h45
Belíssimo relato de Maria Regina Figueiredo Horta. A leitura do artigo me fez viajar no tempo. Que experiência maravilhosa a que ela teve oportunidade de vivenciar. Amei. Achei interessante o trecho que ela fala sobre o "poder de escuta das pessoas". sem a "urgência e a dispersão dos habitantes da cidade grande, como nós, que cada vez mais nos distanciamos do olhar, da voz e da presença do outro, em nossos encontros quase sempre mediados pela tecnologia, subordinados à tirania do relógio, à pressão dos demais compromissos". Bem profundo. Amei o artigo. Abraços! Rozineide
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