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ACERVOPARA APROFUNDAR — GÊNEROS MULTIMODAIS: NOVOS CAMINHOS DISCURSIVOS...

Gêneros multimodais: novos caminhos discursivos

Nos últimos anos, houve grande abertura para a pluralidade de usos da linguagem no contexto escolar. Como consequência direta desse fenômeno, ocorreu uma mudança significativa na configuração dos materiais didáticos. Neste artigo, a professora Janaína de Aquino Ferraz analisa o conteúdo de livros didáticos de português para estrangeiros, no intuito de verificar quais são as mudanças na construção dos sentidos segundo os textos apresentados nesses materiais à luz da Análise de Discurso Crítica e da Semiótica Social.


Posts, chats, tweets, memes, gifs O avanço crescente das tecnologias digitais de comunicação e informação confere às mais diversas práticas sociais novas configurações linguísticas, que lançam mão de multissemioses. Essas mudanças significativas trazem à tona um novo tipo de texto: o texto multimodal, aquele cujo significado se realiza por mais de um código semiótico (texto escrito, imagem estática, vídeo, áudio etc.).
Um dos aspectos relevantes nos textos multimodais é a grande utilização de imagens para a comunicação. O texto em que predomina um único modo semiótico (a escrita, por exemplo) muitas vezes não atende às novas necessidades da sociedade, que pede maior quantidade de informação em frases de tamanho reduzido. Assim, o apelo visual deixa de ser exclusivo do discurso publicitário.


No caso dos materiais didáticos − em especial os voltados ao ensino da língua portuguesa a estrangeiros, foco deste artigo −, passam a apresentar maior quantidade de imagens e de cores. A autora busca verificar como a organização dos vários modos semióticos presentes nesses textos contribui para a construção de significados aos olhos do aluno estrangeiro, seu principal leitor.


Como “um lugar repleto de pistas significativas sobre a formação discursiva de conceitos” e como um dos veículos de um discurso permeado por crenças e valores sociais, o livro didático possibilita ao aluno estrangeiro entrar em contato com visões de mundo e com parâmetros culturais diferentes. 


Segundo a autora, os textos que envolvem as modalidades verbal e visual podem ser lidos de várias maneiras, configurando o que Kress e Van Leeuwen (Reading Images: a Grammar of Visual Design. Londres: Routledge, 1996) chamam de leitura não linear. Essa modalidade de leitura demanda papel mais ativo do leitor, deixando a seu critério iniciar a leitura da esquerda para a direita, de cima para baixo ou linha por linha. A leitura pode ser circular, diagonal ou em espiral. Dessa forma, quem realiza a relação entre as semioses, a conexão entre o verbal e o imagético, é o leitor. Daí a importância de uma formação leitora ligada a uma educação visual da informação e de uma necessária mudança nos paradigmas de ensino de língua portuguesa apenas voltada para a modalidade verbal.


Sobre a autora
Janaína de Aquino Ferraz é professora da Universidade de Brasília (UnB), onde ministra disciplinas na área de Linguística. É mestre em Linguística pela mesma instituição, membro da Asociaccíon Latinoamericana de Estúdios Del Discurso (Aled) e da Associação Brasileira de Linguística (Abralin). Realiza pesquisas na área de Português e língua estrangeira com o enfoque da Análise de Discurso Crítica. 


 


Referência:
FERRAZ, Janaína de Aquino. Gêneros multimodais: novos caminhos discursivos. In: Anais do VIII Encontro Nacional de Interação em Linguagem Verbal e Não Verbal, 2008. São Paulo: FFLCH-USP, 2008.


 

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