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ACERVOPARA APROFUNDAR — ENSINAR E APRENDER LÍNGUA PORTUGUESA NOS ANOS FINAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL...

Ensinar e aprender Língua Portuguesa nos anos finais do Ensino Fundamental

Quais mudanças são notáveis no ensino-aprendizagem de Língua Portuguesa nos últimos 30 anos? Com essa pergunta norteadora, o artigo de Maria José Nóbrega traz análise de documentos curriculares de Língua Portuguesa nos anos finais do Ensino Fundamental de seis estados (AC, AL, MT, PR, PE e SP).


As reflexões da autora, especialista em Língua Portuguesa com larga experiência em formação de professores e em elaboração de propostas curriculares, baseiam-se especialmente em sua participação como pesquisadora no Projeto “Currículos para os anos finais do ensino fundamental: concepções, modos de implantação, usos”, desenvolvida em todo território nacional. A discussão é permeada pelo diálogo com O texto na sala de aula (1. ed. 1984) – obra emblemática da renovação do ensino de Língua Portuguesa – e com os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs, 1998).


Para essa análise, o artigo inicia abordando os fundamentos teóricos desses documentos, em que é possível depreender a perspectiva sócio-histórica de Vygotsky e a teoria da enunciação de Bakhtin, que entendem a linguagem como espaço de interlocução, de atividade sociointeracional, dialógica e polissêmica. Com base nessa concepção, ensinar Língua Portuguesa requer considerar os aspectos sociais e históricos em que os sujeitos estão inseridos, bem como o contexto de produção do enunciado, uma vez que os seus significados são social e historicamente construídos.


Assim, espera-se que as escolas e os educadores proporcionem a maior diversidade possível de interações em várias instâncias discursivas, já que essas experiências possibilitarão aos estudantes compreender o caráter particular e singular de cada evento discursivo. Nesse sentido, adota-se como unidade de ensino o texto, entendido como a materialização do discurso, o que exige ir além de observar a aplicação de regras, bem como as regularidades recorrentes nos diferentes tipos e gêneros; implica levar em conta as relações entre os interlocutores, a temática, os recursos estilísticos e expressivos, bem como sua adesão ou não a sistemas de referências.


A esse respeito, a análise problematiza aspectos pouco abordados nos documentos: como o texto se converte em objeto de práticas de produção oral, escrita e de análise linguística? Quais são os critérios para seleção dos textos? Como orientar a progressão sem estabelecer parâmetros que definam o grau de complexidade dos textos?


Uma questão subjacente a isso é o estudo dos gêneros textuais. Segundo a autora, é possível abordar a diversidade de gêneros na escola sem necessariamente organizar uma proposta de ensino-aprendizagem baseada em gêneros. Porém, eles adquirem caráter estruturante na elaboração do currículo, é imprescindível estabelecer critérios para seleção e progressão ao longo da vida escolar: seja a distinção entre gêneros primários e gêneros secundários (Bakhtin); seja aspectos tipológicos (narração, descrição, exposição, argumentação, injunção); seja ainda esferas discursivas (literária, acadêmica, jornalística etc.).


Por fim, discute as práticas de linguagem que estruturam a organização dos conteúdos: leitura de textos, produção de textos (orais e escritos) e análise linguística – todas interligadas por meio do texto, conforme proposta de Geraldi na coletânea já citada.


Sobre a autora:
Licenciada em Língua e Literatura Vernáculas pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), com mestrado em Filologia e Língua Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP).  Tem larga experiência como professora de Língua Portuguesa e como assessora em programas de formação continuada. Atualmente é professora do curso de pós-graduação "Formação de escritores e especialistas em produção de textos literários", do Instituto Superior de Educação (ISE) Vera Cruz, em São Paulo (SP), e assessora o Programa Leitores em Rede (editora Moderna) e as revistas Carta na Escola e Carta Fundamental (editora Confiança).


Referência: 
NÓBREGA, Maria José. Ensinar e aprender Língua Portuguesa nos anos finais do Ensino Fundamental. Cadernos Cenpec, São Paulo, v. 5, n. 2, 2015.
Leia outros artigos dos Cadernos Cenpec – Currículos EF2

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COMENTÁRIO(S)
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IONE DE ALMEIDAIONE DE ALMEIDA disse em 16/07/2016 00h05
Sou professora dos anos iniciais gostaria de aprimorar meus conhecimentos
IONE DE ALMEIDAIONE DE ALMEIDA disse em 16/07/2016 00h05
Sou professora dos anos iniciais gostaria de aprimorar meus conhecimentos
LUIZA HELENA DA COSTALUIZA HELENA DA COSTA disse em 10/07/2016 18h02
Gostei do artigo que li, com certeza para o ensino fundamental ele me ajudou muito, mas trabalho com ensino médio e fundamental séries iniciais e sinto um grande desinteresse dos alunos em leitura. A primeira coisa que eles observam é o tamanho do texto e reclamam se for um texto grande. às vezes chego a pensar que sou incapaz de motivar meus alunos para leitura. Muitas vezes venho para casa triste sentindo - me incapaz. Por mais que leio , pesquiso, parece que minhas tentativas são inválidas. O artigo é muito bom, mas como refletir sobre algo que não leram. Tenho encontrado este problema e não sabendo resolver> Eles nem mesmo tem a curiosidade de ler. Desculpem o desabafo
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