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ACERVOPARA APROFUNDAR — ALFABETIZAÇÃO CIENTÍFICA E CARTOGRÁFICA NO ENSINO DE CIÊNCIAS E GEOGRAFIA...

Alfabetização científica e cartográfica no ensino de Ciências e Geografia

O artigo discorre sobre a polissemia em torno do conceito “alfabetização científica” no campo da educação em Ciências e em Geografia, incorporando elementos dos recentes estudos na área bem como da vertente dos Estudos Culturais em Educação.


O termo tem sido associado, tanto na literatura educacional como nos documentos oficiais, à inclusão no mundo da Ciência e da Tecnologia, à educação para a cidadania e à formação de sujeitos autônomos e críticos, capazes de agir socialmente no que diz respeito a essas problemáticas. Em outros contextos, a alfabetização científica é definida como o processo que possibilita ao cidadão mergulhar na cultura científica.


Segundo as autoras, o termo “alfabetização científica” foi importado da Linguística e adaptado para a educação em Ciências. Sua origem remete ao final do século XX e o início do século XXI, momento em que ocorreu considerável desenvolvimento científico e tecnológico, mas, paradoxalmente, percebeu-se um grande distanciamento por parte da maioria da população acerca dos conhecimentos científicos e tecnológicos. Nesse contexto, a expressão “analfabetismo científico” nomeia situações em que os sujeitos não são capazes de decodificar o conhecimento da ciência e da tecnologia e aplicá-lo em situações do dia a dia.


A ênfase na popularização do acesso à ciência está relacionada a mudanças no ensino de Ciências nas últimas décadas. Se, em outras épocas, a finalidade, no Ensino Fundamental, era formar futuros cientistas, atualmente o objetivo é educar cientificamente a população, fornecendo-lhe elementos para que se torne capaz de realizar uma leitura de mundo do ponto de vista da ciência e de agir sobre a realidade. Nessa perspectiva, a educação científica escolar deve enfatizar a função social da ciência.


No âmbito da educação em Ciências, os termos “alfabetização científica” e “letramento científico” têm sido utilizados como sinônimos. Mas haveria distinção entre alfabetização científica e letramento científico? Segundo vários especialistas, os dois processos são indissociáveis, já que enfatizar a função social da ciência é também mostrá-la como produção cultural situada em um tempo e espaço determinados, marcados por tensões entre diferentes grupos.


O texto define ainda a aprendizagem em Ciências como apropriação de múltiplas linguagens, tendo em vista que “aprender ciência é aprender a falar ciência, é fazer ciência através de suas linguagens”. Estas abarcam não apenas o aspecto verbal, mas também as práticas e os processos científicos − como argumentar, planejar, levantar hipóteses, investigar –, além das linguagens matemática e pictórica.


Em relação ao ensino da Geografia, especialmente ao campo da cartografia, junto à aprendizagem dos signos e sistemas de linguagem (como orientação, espacial, escala etc.) há uma bagagem sociocultural preexistente à entrada dos sujeitos em instituições formais de ensino que remete a uma educação visual mais ampla.


Referência:
GURIDI, Veronica; CAZETTA, Valeria. Alfabetização científica e cartográfica no ensino de Ciências e Geografia: polissemia do termo, processos de enculturação e suas implicações para o ensino. Revista de Estudos Culturais n. 1. Disponível em: EACH. Acesso em: jun. 2016. 

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