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ACERVOEXPERIMENTE — CRIAR OU CONTAR HISTÓRIAS COM ORIGAMI...

Criar ou contar histórias com origami


A verdadeira viagem de descobrimento não consiste em procurar novas paisagens, mas em ter novos olhos. (Marcel Proust)


Sugestão de encaminhamento
Levantamento dos conhecimentos prévios da turma
Muitas vezes, as crianças ou mesmo os professores acham que nunca fizeram um origami/dobradura. Mas, quando você pergunta se eles já dobraram um aviãozinho de papel, um barquinho, uma capucheta/pipa simples de jornal, todos levantam a mão. Esses exemplos são de dobraduras, mas, como são tão corriqueiros em nossas vidas, nem percebemos. Ao dobrarmos um guardanapo de papel, ou mesmo de pano, estamos fazendo uma dobradura. Quando dobramos uma folha para fazer um cartão de Natal, de aniversário ou mesmo uma carta, uma roupa, um lençol, também estamos praticando a dobradura.


Antes de iniciar um origami, é importante fazer uma roda de conversa com as crianças. Você pode estimular o bate-papo com algumas questões, como a citada acima, e outras:
• Que tipos de papel vocês têm em casa? A maioria com certeza vai responder que é o sulfite, ou citar o nome de alguma marca conhecida. Outros dirão: de blocos, de caderno, de presente, jornal e até mesmo papel higiênico. Assim, podemos ensinar que todos esses papéis podem ser dobrados, inclusive o papel higiênico (em hotéis do Japão, usa-se a dobradura na ponta do rolo de papel, para impressionar os hóspedes e embelezar o banheiro, como também dobraduras em toalhas, de animais estilizados, tão na moda atualmente).
• Que livros vocês têm em casa? Quais já leram ou quem leu para vocês? Perguntas dessa natureza ajudam a levantar os conhecimentos literários das crianças. Estimule-as a lembrar e contar um pouco dos livros que já leram ou que já ouviram. Caso não possuam livros em casa, aproveite a ocasião para organizar com a turma uma visita à biblioteca da escola ou da comunidade. Faça uma lista de livros indicados e ajude-as na escolha dos livros, observando os interesses de cada criança. Você também pode incentivar o empréstimo de livros entre a turma.
 Quem tem animais de estimação em casa? Quais? Como eles se chamam? Como eles se comportam com vocês: são brincalhões, tranquilos, agitados? Com essa conversa, ajude-os a notar as diferenças físicas e comportamentais entre os animais: Como é a orelha do seu gato? E do seu cachorro? E como é o focinho deles? Qual é a cor do seu peixinho? Como ele se movimenta na água? etc. Assim, procure inspirá-los a representar seus bichinhos preferidos por meio de dobraduras alegres e coloridas.


Expectativas de aprendizagem
Com essas sugestões de atividades, pretendo, em primeiro lugar, promover a criatividade e a imaginação, o hábito da escrita e da leitura. Por meio do origami e da leitura, procuro estimular as crianças a observar mais os detalhes da vida, da natureza, dos animais, dos objetos. Esses pequenos detalhes são imprescindíveis para escrever, dobrar, desenhar, enfim, criar.
Além disso, essas atividades estimulam as crianças a cultivar a paciência, a persistência, a concentração e o foco. Acredito que, se essas ações forem cultivadas, os benefícios alcançados tanto na leitura como na escrita serão excepcionais. Ler e escrever são experiências imperdíveis, assim como desenhar e dobrar.
Em japonês, a palavra ganbatte significa: esforçar-se, dar o melhor de si e nunca desistir. Que o tsuru (grou), ave símbolo da longevidade e da paz, acompanhe vocês em todos os momentos.


Autora da oficina: Tereza Yamashita, escritora, artista gráfica, origamista e ceramista. Colaboradora da revista Ciência Hoje das Crianças e do jornal Rascunho, de Curitiba (PR). Mantém o blog Abraços Dobrados. Contato: t.yamashita@uol.com.br

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COMENTÁRIO(S)
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LUCIENELUCIENE disse em 10/10/2020 21h00
Ótimo texto sobre contação de histórias e utilização do ORIGAMI, estimulando a percepção, coordenação motora das crianças concomitante ao prazer em ouvir histórias.
JILSELIA FERREIRA MIRANDAJILSELIA FERREIRA MIRANDA disse em 14/08/2020 00h10
Tema muito bom para os alunos onde os mesmos podem esta soltando suas criatividades através dos origami
LUCI MARALUCI MARA disse em 10/08/2020 16h09
Excelente a ideia de trabalhar as mãos e junto exercitar o cérebro .Muito educativo aprender a trabalhar um origami.
ANAANA disse em 07/04/2016 21h54
Adorei uma ótima dica para trabalhar a coordenação motora fina, principalmente na alfabetização.
ROSEROSE disse em 31/03/2016 05h57
Precisamos Mesmo ter um bom repertório de possibilidades de trabalho com nossos meninos e meninas...ótima dica!!!!
ELLENELLEN disse em 28/03/2016 22h40
Fantástico aguçar essa criatividade em nossos alunos com trabalhos em origami fazendo com que criem seus personagens e suas histórias usando suas experiências e seu meio.
LUZIALUZIA disse em 13/03/2016 18h48
Martinha Há necessidade da escola apoiar o trabalho do professor no período complementar e oposto ao turno regular de aulas (denominado “contraturno”, “reforço” ou ainda “recuperação escolar”), no qual realiza atividades de alfabetização, leitura e produção de textos. No entanto, os alunos não alfabetizados devem participar normalmente das aulas de Matemática, Ciências, História, Geografia, Arte e Educação Física. Não é adequado, portanto, separá-los para realizar atividades diversificadas em Língua Portuguesa nesses horários. Além disso, é importante lembrar que todas as áreas do currículo contribuem para a aprendizagem de Língua Portuguesa, mesmo aquelas que lidam com outras linguagens, como é o caso de Matemática, Arte e Educação Física, pois com elas se aprende a lidar com o símbolo e com o corpo. E, praticamente em todas as áreas, trabalha-se com a leitura e a escrita. Assim, as orientações de atuação diversificada, dadas para Língua Portuguesa, valem também para as demais áreas do currículo que usam a escrita. Em sala de aula para atender à heterogeneidade da classe, pode ser realizado um trabalho diversificado que se constitui de duas formas inter-relacionadas, mas específicas de ação: a atuação diversificada do(a) professor(a) no desenvolvimento de uma mesma atividade por todas as crianças e a oferta de atividades diversificadas para diferentes alunos ou grupos. I. Atuação diversificada – mesma atividade para todos os alunos A mesma atividade é proposta para todos, mas a sua realização individual ou grupal é diferenciada, de acordo com as possibilidades dos alunos naquele momento de seu processo de aprendizagem, e as intervenções do(a) professor(a) objetivam atender a essa diversidade. Os alunos (individualmente, em duplas ou grupos) produzem o que é possível naquele momento, mas o(a) professor(a) faz intervenções diferenciadas para que todos avancem em sua aprendizagem. Em situação de leitura de um mesmo texto por todos Leia para um pequeno grupo de não alfabetizados reunidos em um canto da sala (deixar sempre um espaço especialmente reservado para isso). Forme duplas, reunindo um aluno alfabetizado e outro não alfabetizado, de modo que um leia para o outro (para facilitar, é bom organizar a classe já com os alunos não alfabetizados próximos dos alfabetizados). Periodicamente, escolhem uma história para reproduzir (ou reescrever) como souberem. Em situação de leitura em que cada um escolhe um livro diferente Após a escolha do livro pelo aluno, percorra a sala: detenha-se um pouco mais com os não alfabetizados e estimule a leitura de indícios (desenho e outras marcas do texto) ou a imaginação (o que poderia estar escrito?); incentive também o reconhecimento de letras e palavras. ? Combine um aluno alfabetizado com outro não alfabetizado e peça que o primeiro leia para o outro. ? Peça que comentem oralmente a história lida pelo colega e escrevam o título da história e o nome dos personagens, como souberem. Em situação de escrita Se a criança apenas desenhar, insista para que também escreva – o nome da história e dos personagens; o começo da história, o fim... Se ela se recusar, escreva para ela e diga o que escreveu. Se a escrita da criança não for interpretável, peça que leia e transcreva para a escrita convencional. Peça que faça desenhos ou marcas para se lembrar do que está escrito.* Se já houver relação entre som e escrita, mas faltar em letras, pergunte que letras estão faltando e faça a escrita convencional ao lado ou abaixo da escrita da criança.** Participam da reescrita coletiva de texto dando sugestões oralmente. Revisão e reescrita dos textos produzidos pelos alunos Chame primeiro aqueles cujas escritas não são interpretáveis; peça que digam o que escreveram e traduza para a escrita convencional. Os alunos alfabetizados podem ajudar nessa tarefa. Participam da reescrita coletiva dando ideias para aperfeiçoar o texto do colega alfabetizado. Cópias Devem ser estimulados a copiar as listas de palavras e a ilustrar com desenhos ou recortes. Essa atividade, no entanto, não deve estender-se por muito tempo, para que outras atividades não fiquem prejudicadas. Providencie cópias das listas para os não alfabetizados, para que colem no caderno ou guardem na pasta; peça sempre que ilustrem para se lembrar. O mesmo cuidado deve ser tomado com relação à cópia do cabeçalho. Não há necessidade de copiar todos os dias o nome da escola; basta uma data simplificada: dia, mês e ano. Quando estiverem alfabetizados e mais rápidos com a escrita, aprenderão facilmente o nome da escola e da cidade. É importante saber o nome da escola, mas copiá-lo todos os dias não cumpre nenhuma função social e toma um tempo precioso que poderia ser utilizado para aprendizagens fundamentais. II. Atividades diversificadas Individualmente, em duplas ou em pequenos grupos, os alunos recebem diferentes propostas de atividades de acordo com suas necessidades: jogos variados e outras atividades complementares semelhantes àquelas desenvolvidas nos projetos (completar, recompor, reproduzir parlendas, travalínguas, ditados populares, trovas, poemas, letras de canções etc.). Apresentamos a seguir algumas sugestões de atividades diversificadas: _ Para os que ainda não relacionam som e grafia, poderão ser oferecidos: • jogos para relacionar som e grafia (todos os que envolvem rimas); • jogos para reconhecimento de letras (bingo de letras, jogo das cinco letras, jogo da última letra etc.); • parlendas, trovas, poemas, letras de cantigas conhecidas para completar e remontar; • livros para leitura apoiada na ilustração ou na memória; • folhas com figuras de personagens de fábulas, contos de fadas e outras histórias conhecidas, para que escrevam seus nomes e títulos etc.; • letras móveis para compor palavras. Para saber mais: consulte o Módulo Introdutório do Projeto Estudar pra Valer! 1º ao 5º ano oferecido pela Plataforma
TEREZATEREZA disse em 07/03/2016 23h34
Maria Elenir, Darei um workshop de origami em maio. Por favor, acompanhe o meu blogue Abraços Dobrados (https://yamashitatereza.wordpress.com/) onde eu divulgo as informações sobre os eventos. Obrigada, Tereza
MARIA ELENIR DO NASCIMENTO CORREAMARIA ELENIR DO NASCIMENTO CORREA disse em 07/03/2016 14h37
Temas bastante interessantes. Tem algum curso em aberto que eu possa participar? Trabalho em Sala de Leitura e gostaria de aprender e passar algo diferente para nossos alunos.
JOSE AUDELINO ALMEIDA NUNESJOSE AUDELINO ALMEIDA NUNES disse em 04/03/2016 18h05
Ótima dica para contar histórias aos nossos pequeninos.
MARTINHAMARTINHA disse em 04/03/2016 08h06
Preciso de ajuda estou com uma turma do 7ºano em aceleração muito indisciplinada . Alunos não alfabetizados. Sei que preciso mudar meu plano de aula, me ajudem preciso estar certa de onde começar, pois avançar com conteúdo é simplesmente desnecessário e errado.
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