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ACERVOEXPERIMENTE — CRIAR OU CONTAR HISTÓRIAS COM ORIGAMI...

Criar ou contar histórias com origami


Todo origami começa quando colocamos as mãos em movimento. Há uma grande diferença entre compreender alguma coisa através da mente e conhecer a mesma coisa através do tato. (Tomoko Fuse)


Materiais:
• Para escrita: lápis, caderno, computador.
• Para leitura: livros de todos os tipos e dicionário.
• Para origami: todos os tipos de papel – sulfite, color set, color plus, Kraft, papel espelho, dobradura ou gessado (com as faces de cores diferentes, para adultos iniciantes e crianças) e outros. Muitos acreditam que só é possível fazer origami com papéis específicos para dobradura, vendidos em papelarias especializadas. É claro que as dobraduras ficarão mais bonitas com papéis coloridos e com texturas e gramaturas diferentes. Mas, felizmente, a falta desses materiais não impede a prática do origami. Podemos usar qualquer papel, dependendo da dobradura. Mas, para os origamis mais simples, de nível básico, e com as crianças, poderemos utilizar o papel sulfite, tão usado nas escolas. Podemos também reutilizar papéis de revista, de presente, folhas escritas e até de jornal. Assim começamos a cultivar nas crianças a importância da sustentabilidade, divulgando o conceito dos três Rs: Reduzir, Reaproveitar e Reciclar.


Algumas ideias
Educação Infantil, para crianças de 0 a 3 anos e de 4 a 6 anos
Podemos introduzir o origami/dobradura para as crianças menores de uma forma bem lúdica e engraçada. Por exemplo, apenas manipulando o papel: amassando, torcendo, rasgando ou picando. É com base nesses movimentos que a criança começa a ter consciência do seu próprio corpo, do próprio ritmo, do controle de suas ações, estimulando as funções psicomotoras de coordenação. Exemplificando: no livro A família Fermento contra o supervírus de computador (Luiz Brás e Tereza Yamashita. Atual, 2008), a ilustradora caracterizou um dos personagens, o supervírus, como uma bola vermelha. 
A atividade consiste em amassar dois papéis: um branco, formando a primeira bola de papel, e outro colorido, envolvendo a bola formada. Decoramos com olhos, nariz, pernas, orelhas, rabo, dentes etc. Também podemos pintar, fazendo manchas ou texturas no papel. Aqui é possível um diálogo com outras disciplinas (interdisciplinaridade), por exemplo, com a Biologia e a Matemática. O vírus monstrinho poderá ter três olhos, cinco pernas! O ser humano tem quantas pernas, quantos olhos? Nessa atividade podemos utilizar uma história com monstros, ou o(a) professor(a) poderá fazer primeiro o monstrinho com as crianças, e depois inventar uma história de acordo com as ideias que partirem das delas.


Ensino Fundamental I, para crianças de 6 a 10 anos
Atividade 1: para crianças dessa faixa etária, já podemos ensinar o origami com as dobras de nível básico e intermediário. Exemplo abaixo: dobrar um chapéu de samurai que se transforma em peixe. Na ilustração a seguir, eu criei um poema (clique aqui para ler o poema). 
A atividade consiste em contar uma história e ao mesmo tempo ir dobrando os origamis. Deixe a imaginação correr solta, assim outras histórias ou poemas poderão ser escritos com base nos origamis: de chapéu, peixe ou barquinho. (Clique aqui para baixar o passo a passo da dobradura.) 


Outras ideias:
• Criar um cenário com base nos origamis e na poesia. Utilizar o chapéu e fazer com que a criança imagine como é fisicamente o personagem (alto, baixo, magro etc.) que usa esse chapéu. Mudar o foco narrativo: da terceira para primeira pessoa (o narrador sendo um dos personagens).
• A professora poderá usar o kabuto (chapéu japonês) para introduzir um pouco da história (samurais, cultura oriental) e da geografia do Japão.
• Contar outras histórias de heróis, como os gregos Hércules, Ulisses e Aquiles, personagens dos épicos Ilíada e Odisseia; ou de outras culturas, como Zumbi e Dandara, símbolos da resistência africana contra a escravidão no Brasil; I-Juca Pirama, herói indígena do poema de Gonçalves Dias, e Iracema, protagonista do romance homônimo de José de Alencar etc.
• Usar as dobras (quadrado, retângulo, triangulo, simetria, forma plana e tridimensional) para ensinar a geometria plana e espacial. O(A) professor(a) poderá usar a sequência de dobras para apresentar as formas geométricas. Usar os elementos gráficos para criar personagens.
• Montar um livrinho de origami com os poemas criados e com os próprios origamis. Se preferir, apenas faça com que as crianças copiem poemas (elas podem escolher os poemas preferidos), assim elas fixarão a grafia correta das palavras. Você pode organizar também, junto com os alunos, uma exposição para que a escola e as famílias possam apreciar as produções (origamis e poemas) da turma. (Clique aqui para baixar o diagrama dessa dobradura.)
• Introduzir o dicionário em sala de aula. Saber o significado de novas palavras vai ajudá-los com a qualidade dos textos. Com esse exercício, o vocabulário e a qualidade dos textos aumentarão. 

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COMENTÁRIO(S)
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LUCIENELUCIENE disse em 10/10/2020 21h00
Ótimo texto sobre contação de histórias e utilização do ORIGAMI, estimulando a percepção, coordenação motora das crianças concomitante ao prazer em ouvir histórias.
JILSELIA FERREIRA MIRANDAJILSELIA FERREIRA MIRANDA disse em 14/08/2020 00h10
Tema muito bom para os alunos onde os mesmos podem esta soltando suas criatividades através dos origami
LUCI MARALUCI MARA disse em 10/08/2020 16h09
Excelente a ideia de trabalhar as mãos e junto exercitar o cérebro .Muito educativo aprender a trabalhar um origami.
ANAANA disse em 07/04/2016 21h54
Adorei uma ótima dica para trabalhar a coordenação motora fina, principalmente na alfabetização.
ROSEROSE disse em 31/03/2016 05h57
Precisamos Mesmo ter um bom repertório de possibilidades de trabalho com nossos meninos e meninas...ótima dica!!!!
ELLENELLEN disse em 28/03/2016 22h40
Fantástico aguçar essa criatividade em nossos alunos com trabalhos em origami fazendo com que criem seus personagens e suas histórias usando suas experiências e seu meio.
LUZIALUZIA disse em 13/03/2016 18h48
Martinha Há necessidade da escola apoiar o trabalho do professor no período complementar e oposto ao turno regular de aulas (denominado “contraturno”, “reforço” ou ainda “recuperação escolar”), no qual realiza atividades de alfabetização, leitura e produção de textos. No entanto, os alunos não alfabetizados devem participar normalmente das aulas de Matemática, Ciências, História, Geografia, Arte e Educação Física. Não é adequado, portanto, separá-los para realizar atividades diversificadas em Língua Portuguesa nesses horários. Além disso, é importante lembrar que todas as áreas do currículo contribuem para a aprendizagem de Língua Portuguesa, mesmo aquelas que lidam com outras linguagens, como é o caso de Matemática, Arte e Educação Física, pois com elas se aprende a lidar com o símbolo e com o corpo. E, praticamente em todas as áreas, trabalha-se com a leitura e a escrita. Assim, as orientações de atuação diversificada, dadas para Língua Portuguesa, valem também para as demais áreas do currículo que usam a escrita. Em sala de aula para atender à heterogeneidade da classe, pode ser realizado um trabalho diversificado que se constitui de duas formas inter-relacionadas, mas específicas de ação: a atuação diversificada do(a) professor(a) no desenvolvimento de uma mesma atividade por todas as crianças e a oferta de atividades diversificadas para diferentes alunos ou grupos. I. Atuação diversificada – mesma atividade para todos os alunos A mesma atividade é proposta para todos, mas a sua realização individual ou grupal é diferenciada, de acordo com as possibilidades dos alunos naquele momento de seu processo de aprendizagem, e as intervenções do(a) professor(a) objetivam atender a essa diversidade. Os alunos (individualmente, em duplas ou grupos) produzem o que é possível naquele momento, mas o(a) professor(a) faz intervenções diferenciadas para que todos avancem em sua aprendizagem. Em situação de leitura de um mesmo texto por todos Leia para um pequeno grupo de não alfabetizados reunidos em um canto da sala (deixar sempre um espaço especialmente reservado para isso). Forme duplas, reunindo um aluno alfabetizado e outro não alfabetizado, de modo que um leia para o outro (para facilitar, é bom organizar a classe já com os alunos não alfabetizados próximos dos alfabetizados). Periodicamente, escolhem uma história para reproduzir (ou reescrever) como souberem. Em situação de leitura em que cada um escolhe um livro diferente Após a escolha do livro pelo aluno, percorra a sala: detenha-se um pouco mais com os não alfabetizados e estimule a leitura de indícios (desenho e outras marcas do texto) ou a imaginação (o que poderia estar escrito?); incentive também o reconhecimento de letras e palavras. ? Combine um aluno alfabetizado com outro não alfabetizado e peça que o primeiro leia para o outro. ? Peça que comentem oralmente a história lida pelo colega e escrevam o título da história e o nome dos personagens, como souberem. Em situação de escrita Se a criança apenas desenhar, insista para que também escreva – o nome da história e dos personagens; o começo da história, o fim... Se ela se recusar, escreva para ela e diga o que escreveu. Se a escrita da criança não for interpretável, peça que leia e transcreva para a escrita convencional. Peça que faça desenhos ou marcas para se lembrar do que está escrito.* Se já houver relação entre som e escrita, mas faltar em letras, pergunte que letras estão faltando e faça a escrita convencional ao lado ou abaixo da escrita da criança.** Participam da reescrita coletiva de texto dando sugestões oralmente. Revisão e reescrita dos textos produzidos pelos alunos Chame primeiro aqueles cujas escritas não são interpretáveis; peça que digam o que escreveram e traduza para a escrita convencional. Os alunos alfabetizados podem ajudar nessa tarefa. Participam da reescrita coletiva dando ideias para aperfeiçoar o texto do colega alfabetizado. Cópias Devem ser estimulados a copiar as listas de palavras e a ilustrar com desenhos ou recortes. Essa atividade, no entanto, não deve estender-se por muito tempo, para que outras atividades não fiquem prejudicadas. Providencie cópias das listas para os não alfabetizados, para que colem no caderno ou guardem na pasta; peça sempre que ilustrem para se lembrar. O mesmo cuidado deve ser tomado com relação à cópia do cabeçalho. Não há necessidade de copiar todos os dias o nome da escola; basta uma data simplificada: dia, mês e ano. Quando estiverem alfabetizados e mais rápidos com a escrita, aprenderão facilmente o nome da escola e da cidade. É importante saber o nome da escola, mas copiá-lo todos os dias não cumpre nenhuma função social e toma um tempo precioso que poderia ser utilizado para aprendizagens fundamentais. II. Atividades diversificadas Individualmente, em duplas ou em pequenos grupos, os alunos recebem diferentes propostas de atividades de acordo com suas necessidades: jogos variados e outras atividades complementares semelhantes àquelas desenvolvidas nos projetos (completar, recompor, reproduzir parlendas, travalínguas, ditados populares, trovas, poemas, letras de canções etc.). Apresentamos a seguir algumas sugestões de atividades diversificadas: _ Para os que ainda não relacionam som e grafia, poderão ser oferecidos: • jogos para relacionar som e grafia (todos os que envolvem rimas); • jogos para reconhecimento de letras (bingo de letras, jogo das cinco letras, jogo da última letra etc.); • parlendas, trovas, poemas, letras de cantigas conhecidas para completar e remontar; • livros para leitura apoiada na ilustração ou na memória; • folhas com figuras de personagens de fábulas, contos de fadas e outras histórias conhecidas, para que escrevam seus nomes e títulos etc.; • letras móveis para compor palavras. Para saber mais: consulte o Módulo Introdutório do Projeto Estudar pra Valer! 1º ao 5º ano oferecido pela Plataforma
TEREZATEREZA disse em 07/03/2016 23h34
Maria Elenir, Darei um workshop de origami em maio. Por favor, acompanhe o meu blogue Abraços Dobrados (https://yamashitatereza.wordpress.com/) onde eu divulgo as informações sobre os eventos. Obrigada, Tereza
MARIA ELENIR DO NASCIMENTO CORREAMARIA ELENIR DO NASCIMENTO CORREA disse em 07/03/2016 14h37
Temas bastante interessantes. Tem algum curso em aberto que eu possa participar? Trabalho em Sala de Leitura e gostaria de aprender e passar algo diferente para nossos alunos.
JOSE AUDELINO ALMEIDA NUNESJOSE AUDELINO ALMEIDA NUNES disse em 04/03/2016 18h05
Ótima dica para contar histórias aos nossos pequeninos.
MARTINHAMARTINHA disse em 04/03/2016 08h06
Preciso de ajuda estou com uma turma do 7ºano em aceleração muito indisciplinada . Alunos não alfabetizados. Sei que preciso mudar meu plano de aula, me ajudem preciso estar certa de onde começar, pois avançar com conteúdo é simplesmente desnecessário e errado.
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