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EM REVISTAENTREVISTAS — GLÁUCIA MOLLO: A BIBLIOTECA E SEU PAPEL NA SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA...

Gláucia Mollo: A biblioteca e seu papel na sociedade contemporânea

Na sociedade atual, o papel das bibliotecas públicas tem chamado a atenção do governo e da população brasileira. Isso pode ser constatado quando observamos as atuais políticas públicas de valorização do livro e da leitura, que priorizam a biblioteca no desenvolvimento da cultura letrada no país. Um bom exemplo disso é o Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL), uma iniciativa do Ministério da Cultura (MinC) em parceria com o Ministério da Educação (MEC), criado em 2006. (Clique aqui e leia a reportagem sobre o Plano.)


O que a biblioteca se tornou nos últimos anos? Como torná-la mais interessante para crianças, jovens e adultos? Qual a importância da implementação da lei que institui as bibliotecas escolares em todo o país? Essas questões foram discutidas por Gláucia Mollo, bibliotecária responsável pelo projeto “Leitura em Movimento” da Secretaria Municipal de Cultura de Campinas (SP). Na entrevista abaixo, Gláucia reforça o papel primordial da biblioteca na escola e na comunidade, além de apresentar sua visão sobre o futuro da leitura em meio ao progresso das ferramentas tecnológicas atuais.


Plataforma do Letramento: Que desafios e conquistas relativos à leitura no país traz a promulgação da Lei nº 12.244, de 2010, que prevê a universalização das bibliotecas escolares no Brasil?
Glaucia Mollo: É um contrassenso saber que a escola, espaço primordial para o ensino da leitura, ainda existe sem a biblioteca. Essa lei promulgada recentemente representa uma importante conquista ao prever que, até 2020, todas as escolas tenham bibliotecas. No entanto, ainda que contribua para a melhoria do ensino, essa iniciativa do poder público isolada não é suficiente. Não basta criar espaços nas escolas, com infraestrutura adequada, e com bibliotecários e auxiliares, se o dia a dia da escola não demanda da biblioteca; deve haver essa necessidade, assim como os educadores, educandos e gestores devem conhecer as potencialidades e formas de utilizar esse espaço. O desafio é fazer com que a biblioteca seja importante para a escola, de modo que a sala de aula necessite desse espaço vital de aprendizado. A biblioteca escolar não é apenas um local de empréstimo semanal de livros de literatura para os alunos; também não é um local de realização de pesquisas e cópias ou de exibição de filmes em dias chuvosos. Ela é muito mais que isso: é um centro de referência e de informação da escola. A biblioteca escolar deve possuir as informações importantes para auxiliar seu público-alvo. Ela organiza essas informações a fim de disseminá-las, de modo que todos possam utilizá-las da melhor forma. As bibliotecas escolares têm funções diferenciadas em relação às bibliotecas públicas, comunitárias, especializadas, universitárias e de outros de tipos. Elas têm por objetivo atender a sala de aula, no intuito de auxiliar o aluno, o professor e os demais profissionais da escola a desenvolverem seus trabalhos de forma mais eficiente – além, é claro, de formar leitores, função das salas de leitura em geral. A biblioteca é o local onde se experimenta a leitura de entretenimento, o estudo, a pesquisa, a informação e o lazer; além disso, é nela que encontramos os diferentes tipos de textos e seus respectivos suportes, para que se possam formar leitores mais conscientes e críticos. Ela é, também, o ambiente ideal para se desenvolver e exercitar as habilidades de leitura e escrita nas escolas. Para que isso ocorra, é necessário haver sintonia com a sala de aula. Nesse sentido, acho muito importante a promulgação da Lei nº 12.244, de 2010, mas precisamos de mais: de que as escolas repensem a importância das bibliotecas para que elas possam, de fato, auxiliar na formação de leitores e não ser apenas, espaços coletivos.   


PL: Como tornar a biblioteca um espaço atraente a todos – estudantes, familiares, comunidade em geral – sem esquecer sua finalidade principal: a promoção da leitura?
GM: As bibliotecas, em geral, não necessitam de uma estrutura complexa para ser eficientes e interessantes. Ela é um local atraente quando tem um acervo de qualidade, frenquentemente atualizado e de interesse de seu público-alvo; também se torna mais atraente no momento em que possui um espaço acolhedor e agradável, com mobiliário adequado, ventilado, iluminado e organizado. Isso tudo, além das ações desenvolvidas por meio da leitura, já justificam a existência de uma boa biblioteca para leitores de todas as idades. Há algo que faço sempre: comparar a quantidade de pessoas que estão em livrarias às que estão nas bibliotecas. Como bibliotecária, é triste constatar que o número de frequentadores das livrarias é muito superior. Mas, por que as livrarias estão repletas de leitores e as bibliotecas, vazias? A resposta é simples: a biblioteca não pode ser um depósito de livros e materiais de leitura desatualizados, sem profissionais especializados e sem investimentos. Ela precisa de condições favoráveis para promover a leitura e formar leitores. Muitas bibliotecas não têm sequer o jornal diário da sua cidade (uma realidade difícil de acreditar); sem esses mínimos materiais, não é possível proporcionar satisfação a seu público. O que falta é investimento e não atividades de toda ordem, que não têm nenhuma relação com leitura. As bibliotecas devem ser, novamente, apenas bibliotecas de verdade, nas quais o leitor encontre o que procura.


PL: Como você vê a relação entre leitura e novas tecnologias nesses espaços educativos e na sociedade em geral?
GM: As novas tecnologias estimulam o exercício da leitura e da escrita, tanto nas escolas como na sociedade em geral, pois crianças e adultos estão lendo e escrevendo mais, por conta dessas ferramentas. Isso é muito positivo, pois podemos utilizar essas tecnologias em sala de aula. A tecnologia, quando bem utilizada, pode proporcionar novos significados à leitura e à escrita, além de criar novos sentidos em relação ao cotidiano. Entretanto, quem precisa urgentemente se atualizar em meio a tanta informação tecnológica somos nós, professores, bibliotecários e profissionais de gerações passadas, para que participemos mais desse mundo virtual. Hoje uma criança de 3 anos já utiliza um tablet, por exemplo. Essa revolução, com certeza, já proporciona inúmeras oportunidades em relação ao uso da escrita e da leitura às novas gerações. Quanto ao duelo entre o livro em papel e o livro digital, creio que este ganhará a batalha; de acordo com as estatísticas, a procura pelo livro digital está cada vez maior, sendo ele mais compatível com a geração de leitores e escritores que utilizam as novas redes digitais.

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COMENTÁRIO(S)
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LEANDROLEANDRO disse em 04/08/2017 16h16
Antes de toda essa transformação tecnológica, não tinha o famoso Copiar e Colar que temos hoje, o esforço de ir pessoalmente a Biblioteca fisica era mais valorizado, as pessoas liam mais e faziam as interpretações e resumos. Saudades desses bons tempos. Talves o mundo seria melhor sem todas essas transformações.
ANA ILZAANA ILZA disse em 01/07/2016 12h05
Ótimo artigo.O ambiente de uma biblioteca na escola ,faz toda a diferença.Educa não só pelos livros mais também pelo comportamento social que o leitor deve ter em respeito aos outros leitores,sem contar com a pesquisa escolar que era feita na escola mesmo que fosse cópia, tínhamos de pesquisar nos livros ninguém copiava e colava sem lê o que estava escrito.O compromisso de devolver o livro incentivava a responsabilidade nos alunos.
MARIA DA GLÓRIA DA SILVA VIEIRA DE MATOSMARIA DA GLÓRIA DA SILVA VIEIRA DE MATOS disse em 22/07/2014 22h23
Também concordo com a Glaucia Mollo,a Biblioteca deve ser um lugar atrativo onde todos os leitores sintam-se atraídos a desenvolverem e executarem as habilidades de leitura e escrita.
PLATAFORMAPLATAFORMA respondeu em 24/04/2015 15h29
Maria, publicamos uma reportagem, recentemente, sobre o uso das Bibliotecas. Vale a pena dar uma olhada. Um abraço! http://bit.ly/1HxvZPF
CELIA GONZALESCELIA GONZALES disse em 16/04/2014 14h25
Concordo com Glaucia Mollo, a biblioteca tem ser atraente, onde o pequeno leitor tem acesso às literaturas de seu autor preferido. Ainda deixo caixas com gibis, revistas recreio, ciencias hoje, poemas, folclore,piadinhas/charadinhas que são levadas para sala de aula. As 08 sacolas também são muito utilizadas. Os alunos tem um dia da semana para fazer empréstimo por uma semana. Então, Glaucia Mollo diz:"... a biblioteca não pode ser um depósito de livros e materiais de leitura desatualizados, sem profissionais especializados e sem investimentos. Ela precisa de condições favoráveis para promover a leitura e formar leitores."
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