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EM REVISTAENTREVISTAS — ISABEL FRADE: A ALFABETIZAÇÃO NA IDADE CERTA E FORMAÇÃO DE PROFESSORES...

Isabel Frade: a alfabetização na idade certa e formação de professores

Professora da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (FaE/UFMG), pesquisadora do Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita (Ceale) e coordenadora geral do Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (Pnaic) naquela instituição, Isabel Cristina Alves da Silva Frade dedica-se especialmente a educação e linguagem. É autora de materiais para a formação inicial e continuada de professores da Rede Nacional de Formação Continuada do Ministério da Educação (MEC), para o projeto Veredas – Formação Superior de Professores (iniciativa da Secretaria Estadual de Educação de Minas Gerais), e para a Universidade Aberta do Brasil (UAB/UFMG).


Nesta entrevista, Isabel Frade comenta os avanços e desafios da política educacional implantada em 2012, que tem como principal objetivo "garantir que todas as crianças brasileiras de até oito anos sejam alfabetizadas plenamente". A professora enfatiza a importância de articular as três vertentes do Pacto (avaliação, formação dos professores e material didático), mas atenta para a importância de ''haver continuidade na formação e avaliação, e não um abandono após esse processo''. 


Plataforma do Letramento: Qual é o diferencial do Pnaic em relação a outras políticas de formação de alfabetizadores?
Isabel Frade: O Pnaic é uma política de continuidade do governo brasileiro voltada à formação dos educadores, que começou com o Programa de Formação de Professores Alfabetizadores (Profa), criado pelo MEC em 2001, com a proposta de orientar as ações educativas de alfabetização na Educação Infantil, no Ensino Fundamental e na Educação de Jovens e Adultos (EJA). Depois, veio o Pró-Letramento – Mobilização pela Qualidade da Educação, iniciado em 2005. Agora, temos o fortalecimento dessas políticas com o Pnaic, ou seja, a continuidade e a evolução desse processo, e não uma ruptura. A diferença é que essa é uma política educacional mais aprofundada, pois reúne três vertentes indispensáveis para o seu êxito: o processo de formação, o de avaliação e a disponibilização de materiais didáticos nas escolas para uso do educador e do aluno.


PL: Há resultados recentes em relação ao processo de formação dos educadores?
IF:
É necessário tempo adequado para se obterem resultados concretos. O processo de formação é apenas o começo, que levará cada localidade a discutir as suas demandas e especificidades educacionais.


PL: Como o Pacto pode ajudar a educação brasileira a diminuir os índices de analfabetismo funcional, que ainda são altos no país?
IF: A formação de uma rede de reflexão permanente após os cursos de formação é imprescindível. Um curso que dura dois anos não resolve todos os problemas. Deve haver continuidade na formação e avaliação, e não um abandono após esse processo.


PL: Quais são os benefícios para os educadores brasileiros?
IF: Os benefícios são inúmeros, como a implementação de um repertório comum aos educadores brasileiros, a universalização dessa formação e, principalmente, a articulação das três vertentes do Pacto (avaliação, formação e material didático).


PL: Como incentivar os educadores nessa empreitada?
IF: Devemos fomentar o protagonismo nos educadores; eles não devem esperar soluções prontas, mas sim buscar iniciativas para a concretização de suas metas e expectativas. Além disso, devem se articular em grupos independentes, com a sociedade, para criar e desenvolver novas ideias, novos cenários, que fortaleçam a importância da alfabetização na idade certa.


Leia também a matéria sobre o Pnaic na seção Em Revista.

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COMENTÁRIO(S)
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ROSÂNGELAROSÂNGELA disse em 07/12/2015 18h30
Acho o PNAIC uma contribuição importante quando se trata da educação no nosso país. Garantir um ensino de qualidade é fundamental para o desenvolvimento do nosso país. Cresci num ambiente familiar pobre de condições materiais, mas rica de valores que sempre levaram a educação, o estudo como metas para a vida inteira. Tive mentores como minha avó que apesar de analfabeta tinha o dom de contar estórias e pais que apesar de terem apenas a 4ª série deleitavam na arte de ler um bom livro e isso foi o pontapé para saber que sem alfabetização e sem mentores que nos ajudam a galgar saberes o ensino aprendizagem não tem a mesma perspectiva. Só ressalto que projetos inovadores ou que estão no caminho da alfabetização com resultados sejam divulgados, uma vez que isso não acontece da forma que abrange a todos. A importância de compartilhar experiências pedagógicas é mais um caminho a ser trilhado. Parabéns Izabel pela entrevista e já te ouvi muito no yutube palestrando na UFMG.
ROSE MERIROSE MERI disse em 24/04/2015 19h51
O Pnaic foi de grande valia, mas o que revolta os professores é o descaso com o pagamento das bolsas, a esmola no valor das bolsas, tudo subiu, só nossas bolsas, além de virem atrasadas, em janeiro tivemos questionários no sispacto para responder, e até hoje não rebemos a parcela de janeiro, um descaso com os professores . Já não recebemos o piso nacional, os materiais do pnaic vem sempre atrasados, e os professores se ralando, gastando com alimentação, com transporte, com materiais e tarefas do curso, um horror. E começando atrasado vão nos atropelar com cursos de noite, depois de jornada de 40h? Eis as dúvidas auero respostas.
GLORIAGLORIA disse em 04/09/2014 22h57
O PNAIC aqui em Porto Velho tem sido muito importante por alcançar um grande número de professores. O PROFA e O PROLETRAMENTO não foram tão abrangentes assim por aqui. Agora a preocupação mais pertinente que temos é se o trabalho reflexivo que estamos fazendo terá continuidade, uma vez que interesses políticos interferem muito em tudo isso.
ROSEMEIREROSEMEIRE disse em 18/06/2014 20h14
A Profª Isabel Frade, sempre pontual, traduz com sucesso o percurso que nós educadores e pesquisadores vimos traçando por uma empreitada de ensino e aprendizagem integral nos anos iniciais! Parabéns pela grande contribuição!
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